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Arrancam obras de drenagem em Ribeira Afonso para travar inundações e melhorar o saneamento

A comunidade de Ribeira Afonso, no distrito de Cantagalo, assistiu esta quinta-feira ao lançamento da primeira pedra das obras de drenagem do pântano que há anos afeta a população. O projeto enquadra-se no programa WACA +.


O coordenador do projeto explicou que a ideia inicial era criar uma zona segura para urbanizar e realojar as famílias. Não foi possível. "Encontrámos um terreno que é muito pantanoso, que também era muito dispendioso. Encontrámos outro que era muito inclinado, mas com um preço exorbitante", afirmou. Decidiu-se então "virar o disco" e avançar para um grande canal que permita a circulação das águas e o aterro de toda a zona.


Segundo o responsável, a localidade sofre simultaneamente três tipos de inundação: marítima, fluvial e pluvial. A estes soma-se o problema do saneamento básico. O desenho da obra foi elaborado por uma empresa holandesa, selecionada em concurso internacional, e foi preciso preparar o estudo de impacte ambiental e social para aprovação do banco financiador.


A empreitada foi depois adjudicada à empresa JPA. "Esperamos que, dentro dos próximos 12 meses, ou muito antes, possamos ter esta zona muito bem preparada", disse.


A ministra do Ambiente, Juventude e Turismo Sustentável confessou o impacto que a visita lhe causou. "Sinceramente, quando cheguei aqui, fiquei triste. Não fazia ideia desta situação", declarou, classificando o cenário de saneamento como "um atentado à saúde pública". Para a governante, a obra é "importante, urgente e prioritária".



A ministra pediu à empresa que cumpra o prazo e garanta a qualidade da obra. "Não queremos que, um ano depois, a comunidade reporte à Câmara que a água, em vez de ser escoada, permanece acumulada." Apelou ainda à população: "Sejam também fiscalizadores." Lembrou que a Câmara de Cantagalo, o poder mais próximo, terá um papel fundamental no acompanhamento.


Em representação da empreiteira, um responsável garantiu que a empresa reconhece a importância da obra, "tendo em conta o risco de erosão e inundação". Comprometeu-se a cumprir o prazo contratual e os requisitos técnicos, em conjunto com a fiscalização.



Entre os moradores, o alívio é evidente. Um membro do Comité de Desenvolvimento de Ribeira Afonso disse viver-se "muito mal", com a população "a sentir muito mosquito", e agradeceu o trabalho em curso.



Adérito Manuel, também residente, manifestou "alegria e gratidão" e espera que a obra tenha continuidade até ao fim. "Quando a maré fica alta, a água entra e tem dificuldade em escoar. Acontece o mesmo com chuva forte", recordou.


Concluída a drenagem, a zona poderá ser aproveitada para lazer ou para um parque de estacionamento, destino que a Câmara de Cantagalo ainda terá de definir.