×

O som da viola e do tambor ecoou mais uma vez na Casa da Cultura, num encontro que reuniu grupos vindos de Cantagalo, Água Grande, Lobata e Mé-Zóchi. O ambiente foi marcado por emoção, orgulho e também preocupação quanto ao futuro do Carnaval tradicional.


Visitantes estrangeiras, como Rita Luiz e Clarice Queiro, destacaram a autenticidade da celebração:


“É muito importante manter esta tradição e não importar tradições de outros locais.”

A alegria que transmite deve ser a principal função e a principal mensagem.”


Mesmo diante de dificuldades, como falhas de energia durante o evento, a admiração manteve-se firme:

“Mesmo sem luz, a força de querer passar a mensagem e fazer divertir as pessoas é o mais importante. A garra dos santomenses é admirável.”


Entre os mais novos, opiniões dividem-se. Miriam Dias, que já assistiu ao Tlundu noutras ocasiões, considera a tradição positiva, mas admite não ter preferência entre o Carnaval tradicional e os desfiles modernos.

Já Aete Rolin, presença assídua todos os anos, alerta:


“É uma cultura que está a perder cada dia. A juventude não conhece, por isso não tem preferência. Devia acontecer de seis em seis meses.”


Segundo a Direção Geral da Cultura, seis grupos estão atualmente inscritos oficialmente. Dois não puderam participar este ano por motivos de doença e deslocação. A instituição confirmou que São Tomé e Príncipe validou junto da UNESCO o seu Património Cultural Imaterial, incluindo o Tlundu, estando agora a preparar o plano de salvaguarda.



No entanto, os desafios são muitos. A saída de membros para o estrangeiro, dificuldades financeiras e falta de indumentárias afetam diretamente os grupos.


Osvaldo Lourenço, conhecido como “Crioulo”, representante do grupo, lamenta:


“Antigamente fazíamos passarela de casa em casa. Hoje já não se vê isso. O Tlundu está recaído. Os mais novos não querem seguir.”


Ele reforça que o grupo precisa de apoio para vestuário e instrumentos, e deixa um apelo:


“Que se aproximem, porque estamos a precisar de pessoas para seguir o nosso caminho.”


Entre a nova geração, Neryxon Barros, membro do grupo Beguela Diagobo há quatro anos, fala abertamente sobre a discriminação:

“É muito difícil ver o jovem valorizar a cultura. Já nos chamaram palhaços na rua.”


Mesmo assim, mantém-se firme:


“Estamos a perder, mas não vamos desistir.”


Hamilton da Trindade, conhecido artisticamente como “Estrelinha”, também assume com orgulho o seu papel:


“Sinto-me feliz como uma estrelinha. A juventude deve copiar o que fazemos para não deixar cair a nossa cultura.”


Apesar das dificuldades, a paixão e o compromisso dos grupos mostram que o Tlundu continua vivo — sustentado pela resistência de quem acredita que preservar a tradição é preservar a identidade santomense.

O desafio agora é garantir que as novas gerações assumam este património como seu.

 

 Por: Ednel Abreu 

Imagem: TVS

GLEBA TV 2026