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A proteção da biodiversidade e o envolvimento direto das comunidades locais estiveram no centro da primeira Assembleia Geral Alargada das Reservas Especiais do Sul, realizada na comunidade de Porto Alegre. O encontro marca um momento histórico, ao formalizar a participação comunitária na gestão das áreas protegidas em São Tomé e Príncipe.


“Eu vejo isso com uma boa visão, porque ter essas entidades dentro de Porto Alegre e ver a nossa realidade é muito importante. A reserva veio para proteger a comunidade, a biodiversidade e para que todos nós possamos ter benefícios no futuro.” Aragão António (Membro do Grupo Comunitário)


Criadas ao abrigo do Decreto-Lei nº 8 de 2023, as reservas especiais integram a estratégia nacional de conservação da biodiversidade. São Tomé e Príncipe conta atualmente com 21 reservas, seis delas costeiras, agora geridas através de comités que juntam Estado, comunidades locais e parceiros técnicos.


“O Estado sozinho não consegue garantir a conservação destas áreas. A cogestão permite que as comunidades façam parte das decisões e da proteção dos recursos naturais.”  Adilson da Mata Diretor das Florestas e Biodiversidade



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As reservas piloto abrangem Jalé, Praias do Sul e a Costa Oeste do Ilhéu das Rolas, zonas estratégicas para a nidificação de tartarugas marinhas ameaçadas e para a preservação dos ecossistemas costeiros.


“Estas zonas são essenciais para a nidificação de espécies de tartarugas marinhas em perigo de extinção, mas também protegem florestas costeiras importantes para outras espécies endémicas. Queremos criar aqui um modelo nacional de governança participativa.” Conceição Neves BirdLife International



Para além da conservação ambiental, a assembleia serviu para esclarecer os benefícios diretos para as comunidades. Um financiamento internacional de cerca de 645 mil dólares vai apoiar o funcionamento do Comité de Gestão e financiar iniciativas sustentáveis.


“Este financiamento vai permitir reforçar capacidades locais, apoiar estudos, desenvolver cadeias de valor e financiar projetos verdes, como o ecoturismo e a vigilância comunitária.”



A expectativa é que a experiência das Praias do Sul sirva de referência para outras regiões do país, conciliando conservação da natureza, desenvolvimento comunitário e melhoria das condições de vida das populações locais.


Por: Varela Tavares 

Imagem: TVS

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