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Crise energética em São Tomé e Príncipe: Governo admite dificuldades e promete estabilização “brevemente”



A crise no fornecimento de energia elétrica continua a afetar várias zonas do país e foi o principal tema de uma reunião convocada pelo Presidente da República, que pediu esclarecimentos ao Governo e à EMAE sobre a situação atual e as soluções em andamento. O encontro aconteceu num momento de crescente preocupação da população, que enfrenta cortes frequentes e instabilidade no serviço.


“Situação exige respostas estruturais”

O Primeiro-Ministro explicou que o problema energético não é recente e está ligado a limitações técnicas e estruturais do sistema.

 “O problema energético em São Tomé e Príncipe é um problema cíclico. Não é de hoje. Temos um parque de geradores com mais de 20 anos e isso exige manutenção permanente”, afirmou.



Segundo o chefe do Governo, a falta de manutenção regular ao longo dos anos agravou a situação atual.

“Se essas manutenções não são feitas de forma contínua, os equipamentos deixam de produzir e precisam ser retirados temporariamente da rede”, explicou.



Geradores antigos e novas intervenções

O Governo indica que parte dos geradores em uso já ultrapassou o tempo recomendado de funcionamento, incluindo equipamentos das marcas Hyundai, Caterpillar e ABC.

No entanto, novas máquinas já foram introduzidas ou estão em fase de adaptação.

 “Temos geradores novos e outros mais recentes que estão a ser preparados por equipas técnicas para entrarem na rede”, disse o Primeiro-Ministro.



A EMAE confirmou que técnicos estrangeiros estão no país a apoiar o processo.

“As equipas estão a trabalhar de forma intensa, mais de 18 horas por dia. Muito brevemente a população terá boas notícias”, afirmou um responsável técnico da empresa.


Apesar das promessas, a população demonstra cansaço com a falta de prazos concretos.

“Eu disse brevemente e não fixei data. Estamos a trabalhar para resolver o mais rápido possível”, reforçou o Primeiro-Ministro.



A expressão “brevemente”, repetida em várias declarações oficiais, tem sido recebida com alguma desconfiança por parte dos cidadãos, que enfrentam cortes prolongados há meses.

Dívidas e limitações financeiras

O Governo também reconhece dificuldades financeiras da EMAE, que não consegue cobrir os custos operacionais com as receitas atuais.

“A EMAE hoje não consegue pagar nem 50% dos seus custos. O Estado tem que intervir constantemente”, explicou o chefe do Executivo.



Foi ainda revelada uma dívida significativa com parceiros internacionais que operaram no setor energético no passado, o que agravou a situação financeira do país.

Soluções em curso

Entre as medidas em andamento estão:

Reforço da capacidade de produção com novos geradores

Reabilitação de equipamentos antigos

Parcerias técnicas internacionais

Preparação de uma reforma profunda da EMAE


O Governo afirma ainda estar a trabalhar com instituições internacionais para reestruturar o setor.

População aguarda resultados

Apesar das dificuldades, as autoridades garantem que há progresso técnico em curso.

 “Estamos a acompanhar diariamente o trabalho dos técnicos e acreditamos que a situação será resolvida o mais breve possível”, disse o Primeiro-Ministro.



A EMAE reforça o mesmo compromisso.

 “A população vai ter luz. É um esforço grande, mas estamos no caminho certo”, garantiu um técnico da empresa.

Enquanto as soluções definitivas não chegam, São Tomé e Príncipe continua a viver com instabilidade energética, num cenário em que Governo e técnicos asseguram estar a trabalhar para uma resolução próxima, mas ainda sem data definitiva.

A população aguarda, entre expectativas e cautela, o regresso da estabilidade no fornecimento de energia.