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Crise energética: Sindicato da EMAE dá ultimato ao Governo e admite greve se não houver soluções em duas semanas

Após meses de cortes constantes de energia elétrica, o sindicato da EMAI decidiu quebrar o silêncio. Em conferência de imprensa, os representantes dos trabalhadores afirmam que tentaram, ao longo de vários meses, resolver a situação através do diálogo, mas sem resultados concretos.


Segundo o sindicato, a crise energética já dura entre sete a nove meses, um cenário considerado inédito na história da empresa.


“Vivemos tudo isso no silêncio, sempre a procurar diálogo e soluções conjuntas. Mas a verdade é que o tempo foi mais do que suficiente para resolver a crise. Hoje, os limites foram ultrapassados.” Adélcio Costa | Secretário-Geral do Sindicato




O principal ponto de discórdia prende-se com a aquisição de novos geradores. De acordo com o sindicato, o Governo garantiu que os equipamentos chegariam ao país em dezembro, o que até ao momento não aconteceu.


“Foi-nos dito que os geradores chegariam no dia 9 e depois no dia 19 de dezembro. Estamos em janeiro e nada chegou. A população continua a sofrer.”  Adélcio Costa


Face a esta situação, o sindicato anunciou um ultimato claro: o Governo tem duas semanas para normalizar a produção energética. Caso contrário, os trabalhadores admitem recorrer aos mecanismos legais, incluindo a paralisação total do setor.


“Chegou o momento de agir. Não queremos conflito, mas se nada for feito, teremos de emitir um aviso de greve. Já demos tempo suficiente ao Governo.” Edmilson Fernandes| Vice Secretário-geral




O sindicato aponta também responsabilidades a anteriores decisões governativas, nomeadamente o desmantelamento da antiga Central Térmica de São Tomé. Segundo os sindicalistas, vários geradores estavam operacionais e poderiam ter sido mantidos com investimentos em manutenção.


“A central funcionava. Precisava de manutenção, sim, mas foi desmantelada sem consulta aos técnicos nem ao sindicato. Hoje estamos a pagar essa decisão.Técnico sindical


Outro ponto levantado durante a conferência foi a falta de transparência em contratos de produção de energia com entidades privadas. O sindicato defende que qualquer solução deve ser legal, pública e claramente explicada à população.


“Contratos de energia são contratos públicos. Não podem ser feitos no segredo. A população precisa saber o que está a ser feito e quem está a produzir energia.”  Adélcio Costa | Secretário-Geral do Sindicato

 

Além do impacto na economia e na vida quotidiana, o sindicato alerta para o aumento da tensão social. Trabalhadores da EMAI têm sido alvo de ameaças e agressões, consequência direta da revolta popular provocada pelos apagões constantes.


“Já houve violência contra trabalhadores no passado. Não queremos que isso volte a acontecer. A crise energética está a colocar vidas em risco.”   Adélcio Costa | Secretário-Geral do Sindicato

 

Atualmente, segundo informações avançadas pelo sindicato, a produção de energia ronda valores insuficientes para satisfazer a procura nacional, agravando os cortes e a instabilidade no fornecimento. Até ao momento, o Governo ainda não reagiu oficialmente ao ultimato do sindicato. Caso não haja avanços concretos nas próximas duas semanas, o país poderá enfrentar uma paralisação no setor elétrico, com consequências ainda mais graves para a população.


POR: Varela Tavares

Imagem: TVS

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