No cruzamento de Bobô Forro, os pneus furados têm onde ser arranjados. Wilker Bonfim, trabalha nesta área há 10 anos, cinco deles por conta própria. O sonho começou cedo, mas a oficina só nasceu depois de perder o emprego.
"Fiquei empregado num lugar, o patrão desempregou-me, fiquei em casa, depois arranjei mulher. Daí comecei a trabalhar com coisas pequenas, comecei a arranjar bomba… Quando o homem arranja uma família, tem que batalhar com qualquer coisa."

Começou com uma bomba. Juntou algum dinheiro, comprou material e teve ajuda de quem acreditou nele. Hoje a oficina dá trabalho a mais dois jovens e sustenta a família.
"Ajuda muito. É daqui que eu ganho o meu pão. É daqui que eu também pago os meus colaboradores."

O forte da casa é o tapa-furo, também chamado vulcanização. Mas também faz pequenos arranjos em motos, como limpar o carburador ou tratar da corrente, e vende câmaras de ar e outros acessórios. Não falta vontade de crescer. Falta é energia.
"O meu desafio aqui é a energia. Nestes últimos tempos a energia deu jeito, mas não confio. O desafio aqui é a energia mesmo."

Mesmo assim, não pensa em parar. Quer uma oficina maior e mais bem equipada e deixa um convite a quem passa por Bobô Forro.
"O cliente que quer vir aqui à minha oficina de tapa-furo pode vir sem se preocupar. Aqui vou receber bem os clientes e, mesmo com as poucas condições que tenho, trabalho com qualidade. O cliente vai sentir-se muito bem na minha casa."

Pouco a pouco, de pneu em pneu, Wilker Bonfim está a construir o seu futuro e a mostrar que, mesmo com dificuldades, é possível criar o próprio emprego e dar trabalho a outros jovens em São Tomé e Príncipe