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O Dia Internacional dos Enfermeiros, celebrado a 12 de maio, ficou marcado em São Tomé e Príncipe por homenagens à classe, mas também por fortes apelos relacionados às dificuldades enfrentadas diariamente nos hospitais e centros de saúde do país. Durante uma cerimónia simbólica realizada na Casa dos Enfermeiros, em São Tomé, profissionais da área destacaram o papel essencial da enfermagem no funcionamento do sistema nacional de saúde e denunciaram a escassez de medicamentos, materiais e condições adequadas de trabalho.


A data, criada pelo Conselho Internacional de Enfermagem em homenagem ao nascimento de Florence Nightingale, este ano voltou a reforçar o lema internacional: “Nossos enfermeiros, nosso futuro. Enfermeiros empoderados salvam vidas”.


Durante a intervenção oficial, foi sublinhado que os enfermeiros representam a “espinha dorsal” do sistema de saúde, desempenhando funções fundamentais não apenas no atendimento aos pacientes, mas também na gestão hospitalar, no controlo de medicamentos, no levantamento de dados e na formulação de estratégias para o setor.


“O enfermeiro capacitado e empoderado é fundamental para garantir cuidados de saúde seguros, eficazes e acessíveis para todos”, destacou Mário Pontes Presidente da Escola de Enfermagem

defendendo ainda mais investimento na formação contínua, especialização e retenção de jovens talentos em São Tomé e Príncipe.


A cerimónia também evocou figuras históricas da enfermagem, como Ana Néri, apontadas como símbolos de coragem, dedicação e resistência numa profissão marcada por longas jornadas e forte pressão emocional.


“Salvamos vidas praticamente sem nada”


Um dos momentos mais marcantes do encontro foi a intervenção da enfermeira Elca da Cruz, profissional com mais de dez anos de experiência, que descreveu a realidade enfrentada pelos enfermeiros nos hospitais do país.


Segundo ela, os profissionais continuam a trabalhar com grande espírito de missão, apesar das dificuldades materiais e da falta de reconhecimento.


“Nós salvamos vidas com faca e queijo na mão, mas praticamente sem nada. Só nós que estamos lá dentro sabemos aquilo que fazemos” Elca da Cruz Enfermeira





A enfermeira explicou que muitos hospitais enfrentam falta de medicamentos, consumíveis e materiais básicos, situação que obriga os profissionais a improvisarem para garantir atendimento aos pacientes.


“Estamos a trabalhar praticamente só com nós mesmos. Há utentes que criticam porque precisam comprar materiais, mas não é porque queremos. Não temos meios para trabalhar”  Elca da Cruz Enfermeira


Apesar das dificuldades, Elça da Cruz defendeu que os enfermeiros continuam comprometidos com a população e com a missão de salvar vidas. Os profissionais defendem que o fortalecimento da enfermagem passa pela melhoria das condições de trabalho, fornecimento regular de medicamentos e equipamentos, além de maior valorização institucional da classe.


Durante as celebrações, os participantes também chamaram atenção para a necessidade de criar um ambiente mais seguro e justo para os trabalhadores da saúde, permitindo o exercício pleno da liderança de enfermagem dentro das unidades hospitalares.


O ato central do Dia Internacional dos Enfermeiros decorreu este ano na Região Autónoma do Príncipe, enquanto em São Tomé foi promovido um encontro de confraternização e reflexão entre profissionais da classe.


Ao encerrar a cerimónia, os enfermeiros deixaram uma mensagem de união e esperança, reafirmando o compromisso de continuar a servir a população santomense, mesmo diante das dificuldades que afetam o setor da saúde no país.