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Entrega de óculos devolve esperança e reforça inclusão em São Tomé e Príncipe


Uma iniciativa de apoio à população está a permitir que beneficiários tenham acesso a este recurso essencial, devolvendo-lhes melhores condições para estudar, trabalhar e realizar as atividades do quotidiano.


A presidente da Associação de Cegos e Amblíopes de São Tomé e Príncipe, CASTEP, Eugénia Ligarete Sacramento Neto, chama a atenção para as dificuldades enfrentadas pelas pessoas com deficiência visual e defende mais oportunidades para a sua autonomia e inclusão.


Presidente da  ACASTEP : Eugénia Ligarete Sacramento Neto 


“Não é fácil deixar de ver imagens, deixar de ver as cores. Mas não é por causa de perder a visão que podemos pensar que tudo acabou. Nós devemos continuar a nossa vida. O que nós precisamos realmente é de oportunidade.”


Para além do apoio às pessoas com deficiência visual, a iniciativa procura responder às necessidades de quem enfrenta dificuldades económicas para adquirir óculos, mesmo depois de ter realizado consultas e recebido uma receita médica.


A Associação de Baixo Internacional, que desenvolve atividades nas áreas da saúde, educação e assistência geral, pretende alargar o seu trabalho, incluindo a mobilização de equipas médicas especializadas em saúde ocular.


 Presidente  da Associação de  Baixo INTERNACIONAL: Ahmad Sabri 


“Nós concentramos o nosso trabalho em ajudar pessoas que têm problemas de visão, para conseguirem os óculos e terem melhores condições para andar, estudar e olhar o mundo. Temos também a perspetiva de trazer uma equipa médica para realizar cirurgias aos olhos.”


Entre os beneficiários está Hilara da Silva, que aguardou durante vários meses para conseguir adquirir os óculos receitados após uma consulta médica. Sem condições financeiras para suportar a despesa, encontrou nesta iniciativa uma oportunidade para resolver o problema. 


Beneficiada :  Hilaria da  Silva

“Eu comecei a sentir dores de vista e não conseguia ver ao longe. Fiquei com a receita três ou quatro meses em casa, porque não tinha dinheiro para comprar os óculos. Hoje, com estes óculos na mão, só tenho de agradecer. Estou muito grata.”


A Associação de Baixo Internacional prevê ainda outras ações de apoio na área da saúde, incluindo a realização de cirurgias, em articulação com o Ministério da Saúde e o Hospital Central. Segundo o responsável, está prevista uma iniciativa para realizar cerca de duzentas intervenções cirúrgicas, estando a sua concretização dependente da organização dos medicamentos necessários.


Os promotores defendem que o acesso à saúde visual deve ser acompanhado por medidas de inclusão, autonomia e igualdade de oportunidades, para que as limitações económicas não impeçam os cidadãos de cuidar da visão e melhorar a sua qualidade de vida.