A agricultura e a valorização da produção nacional estiveram em destaque na feira agrícola realizada esta quarta-feira, 30 de Setembro, em São Tomé, no âmbito das comemorações do Dia da Terra e da Agricultura, data anteriormente assinalada como o Dia da Nacionalização das Roças.

A iniciativa, organizada pelo Ministério da Agricultura, em parceria com a Plataforma dos Agricultores, contou com a participação de produtores de diferentes distritos, que apresentaram uma variedade de produtos, entre os quais banana, mandioca, tomate, pimentão, carne de porco e carne bovina.
Com uma significativa participação de consumidores, a feira proporcionou um espaço de comercialização directa entre produtores e população, com preços considerados razoáveis pelos organizadores.

Agricultor
Eu vejo esta feira a correr bem, graças a Deus. Há participação do público e também temos produtos diversos. O meu apelo é que nós, são-tomenses, devemos valorizar a terra, porque é da terra que vivemos, comemos e bebemos. A agricultura exige sacrifício, mas, com esforço, a terra dá os seus frutos.
Apesar da dinâmica registada na feira, os agricultores alertam para os desafios que continuam a condicionar o desenvolvimento do sector, nomeadamente a escassez de mão-de-obra, o roubo de produtos e o abandono de terrenos agrícolas. A mecanização e a introdução de novas técnicas de produção são apontadas como algumas das soluções para aumentar a produtividade.
Por sua vez, o ministro da Agricultura destacou a importância de reforçar a produção interna, sobretudo num cenário internacional marcado por sucessivas crises, defendendo o consumo de produtos nacionais como um caminho para melhorar a segurança alimentar do país.

Nilton Garrido : Ministro da Agricultura
É cada vez mais importante que cada país, cada povo, produza o alimento que consome. É esta a mensagem que queremos transmitir: valorizar aquilo que produzimos internamente e consumir cada vez mais os produtos locais, para que consigamos, paulatinamente, garantir a nossa segurança alimentar.
O governante reconheceu, entretanto, que muitas roças perderam capacidade produtiva desde a independência, em 1975, tendo algumas sido abandonadas. O Executivo pretende promover a sua recuperação, através de investimentos, infraestruturas, acesso à água, energia, saneamento, saúde e educação, criando melhores condições de vida para as comunidades rurais.

No domínio dos preços, o ministro destacou os resultados do programa Mais Alimentos, que, segundo afirmou, contribuiu para aumentar a disponibilidade de produtos de origem animal e vegetal. Anunciou ainda a preparação de um Fundo de Apoio à Agricultura Familiar, destinado a apoiar agricultores, pescadores, palaiês e outros operadores do sector agroalimentar.
A feira ficou também marcada pelo reconhecimento da necessidade de melhorar a organização dos espaços de venda e aproximar os produtores dos consumidores, reduzindo a intervenção de intermediários que podem encarecer os produtos.
Mais do que um espaço de comercialização, a iniciativa serviu de ocasião para reflectir sobre o futuro da agricultura e a importância da terra para o desenvolvimento económico e social de São Tomé e Príncipe.