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Feira “Mais Alimento” regista forte adesão, mas enfrenta desafios com especulações de preços por parte dos revendedores

A terceira feira do programa “Mais Alimento”, promovida pelo Ministério da Agricultura, Pescas e Desenvolvimento Rural, reuniu centenas de pessoas neste Dia Mundial do Trabalhador, confirmando o interesse crescente da população por produtos locais.



Logo nas primeiras horas, o ambiente era de intensa movimentação. Agricultores, criadores e consumidores ocuparam o espaço da feira, impulsionados pela oferta de produtos frescos, desde hortícolas a carne, a preços considerados inicialmente acessíveis.



Balanço positivo, mas com alertas O Governo faz uma avaliação global positiva do evento. Segundo o ministro presente na feira, a forte adesão demonstra o potencial agrícola do país e o impacto do programa “Mais Alimento” na dinamização da produção nacional.


“A procura é grande e há diversidade de produtos. Os consumidores têm razões para estar satisfeitos”


No entanto, o governante reconheceu um fenómeno recorrente: a subida dos preços ao longo do dia, impulsionada por revendedores informais, conhecidos localmente como “palaies”, que compram produtos a preços baixos e revendem mais caro no mesmo espaço.


Preços sob pressão Durante a manhã, produtos como matabala, tomate e cenoura eram vendidos a preços mais baixos. Horas depois, os valores subiram significativamente, gerando críticas entre consumidores.

Alguns feirantes confirmam que o aumento não depende apenas da revenda, mas também dos custos de produção. 


“O preço no campo também está alto, por isso aqui na feira não pode baixar muito”, explicou a vendedora Raquel Nascimento.


Outros consumidores defendem que o objetivo da feira — garantir alimentos mais acessíveis — deve ser reforçado nas próximas edições. Novidades: barcos e arroz biológico Entre as principais novidades desta edição, destaque para a apresentação de barcos de fibra de vidro adquiridos pelo Governo, no âmbito da política de economia azul. Os equipamentos visam substituir as tradicionais pirogas de madeira, oferecendo maior segurança aos pescadores.


 “Queremos reduzir os riscos no mar e modernizar o setor das pescas”, explicou o ministro.


Outra inovação é a introdução do arroz biológico, ainda em fase experimental, desenvolvido em parceria com a China. O produto já está a ser comercializado na feira a cerca de 25 dobras por quilo.


“Não se trata apenas de quantidade, mas também da qualidade dos alimentos”, sublinhou o governante.


Produção de carne aumenta Do lado da pecuária, os dados indicam crescimento da produção, sobretudo de carne suína. Segundo o diretor da Pecuária, houve reforço da oferta nesta edição, com cerca de quatro toneladas de carne de porco e mais de duas toneladas de carne bovina disponíveis.


“O objetivo foi manter ou reduzir os preços para facilitar o acesso da população”, explicou.


Infraestruturas ainda são desafio O evento também trouxe à tona preocupações estruturais, como o estado das estradas e dificuldades no escoamento da produção.


O Governo garante que há projetos em curso, incluindo a reabilitação de vias agrícolas estratégicas e melhorias na drenagem urbana, consideradas essenciais para o desenvolvimento do setor.


Vozes da feira Entre os participantes, o sentimento é misto: satisfação com a iniciativa, mas preocupação com os preços. Um agricultor, Eliseu Rompão, destacou a importância do evento:


“Tem muita gente e estamos a vender bem. É bom para nós.” Já consumidores pedem mais controlo e redução de preços: > “Sendo feira, devia ser mais barato”, afirmou Lairdy dos Anjos.



A feira “Mais Alimento” consolida-se como um espaço de promoção da produção nacional e de aproximação entre produtores e consumidores.


POR: VARELA TAVATES

IMAGEM: SICLAY ABRIL

EDIÇÃO: ANDRE TRINDADE

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