Assinala-se o Dia dos Idosos com um olhar atento sobre as condições de vida da população sénior em São Tomé e Príncipe.
A Direção de Proteção Social promoveu um workshop dedicado aos idosos, procurando colocar em debate os desafios sociais enfrentados por esta camada da população e a necessidade de reforçar as políticas públicas destinadas à sua proteção.

Cláudia Benguela, Chefe do Departamento da Direção de Proteção Social
“A Direção de Proteção Social é a instituição do Estado que tem a incumbência de trabalhar com os grupos vulneráveis e os idosos entram também nesta categoria. Organizámos este workshop para trazermos alguns assuntos para a nossa reflexão pública e política.”
A responsável considera que os idosos continuam a enfrentar situações de discriminação e vulnerabilidade, sobretudo por já não integrarem a população ativa.
O workshop abordou ainda um tema diretamente relacionado com a realidade social do país: “Os idosos e os desafios impostos pela imigração”.

A saída de membros das famílias para o estrangeiro pode alterar a estrutura familiar e, segundo a Direção de Proteção Social, ter consequências particularmente significativas para os idosos, que muitas vezes permanecem em situação de maior vulnerabilidade.
“Nós conhecemos a estrutura familiar em São Tomé e esta imigração, de certa forma, afeta esta estrutura familiar, com maior incidência para os idosos, que é o grupo já mais vulnerável.”
No domínio da proteção social, os dados apresentados mostram que 3.045 idosos beneficiam atualmente do subsídio de apoio social.
O programa representa uma transferência social destinada aos idosos, embora o pagamento ainda seja realizado de forma tradicional, uma vez que o sistema não está bancarisado.
Todos os beneficiários, segundo a Direção de Proteção Social, estão cadastrados e identificados no sistema.
Mas o número de idosos que necessita de apoio é superior à capacidade atual de resposta.
Cerca de 790 idosos encontram-se numa lista de espera, situação atribuída à limitação dos recursos financeiros disponíveis e às quotas estabelecidas para cada distrito.

“Como o recurso financeiro é escasso, não consegue fazer uma cobertura mais ampla. Nós temos coberturas distribuídas para cada distrito. Entretanto, ainda temos 700 e tal idosos que estão na lista de espera.”
Para quem trabalha diretamente com esta população, a realidade dos idosos no país continua a ser motivo de preocupação.
A falta de recursos, as dificuldades económicas, o abandono e outras formas de vulnerabilidade podem agravar as condições de vida de pessoas que chegam à terceira idade sem uma pensão ou património suficientes para garantir uma vida com maior segurança.
“Muitos idosos chegam nessa fase sem riqueza, sem qualidade de vida e, de certa forma, com custos acarretados para o Estado. Toda essa condição já deixa os idosos numa situação de muita vulnerabilidade, de muita precariedade.”
A Direção de Proteção Social defende, por isso, uma maior consciencialização da sociedade e das instituições públicas para os direitos e necessidades da população idosa.

Mais do que assinalar uma data, a iniciativa pretende colocar em discussão uma questão que diz respeito a toda a sociedade: a forma como São Tomé e Príncipe prepara hoje as condições de vida daqueles que amanhã serão os idosos do país.
Cláudia Benguela, Chefe do Departamento da Direção de Proteção Social
“Essa fase é uma fase que todos nós, pelo ciclo da vida, todos nós vamos passar. E se nós não fizermos nada agora, nós também vamos ter que assumir as consequências da nossa negligência.”
@Odjay Ceita Jornalista