Terminou esta sexta-feira a formação em jornalismo político e eleitoral destinada a profissionais dos órgãos de comunicação social são-tomenses. A iniciativa enquadra-se no projeto de reforma do sistema eleitoral de São Tomé e Príncipe, financiado pela União Europeia e implementado pela cooperação portuguesa através do Camões Instituto Público.
O encerramento ficou marcado por apelos à ética, ao rigor jornalístico e à responsabilidade dos atores políticos num momento em que o país se prepara para vários processos eleitorais.
A cerimónia começou com uma homenagem à jornalista e poetisa são-tomense Conceição de Deus Lima, antiga profissional da rádio, televisão e imprensa nacional, que também trabalhou durante vários anos na BBC.
MAXIMINO CARLOS - REPRESENTANTE DOS FORMANDOS
“Vivemos numa era digital em que a inteligência artificial, os deepfakes e as notícias falsas representam sérias ameaças à verdade e à estabilidade democrática. O papel do jornalista torna-se hoje, mais do que nunca, uma ação decisiva.”
No discurso de encerramento, os formandos destacaram a importância do novo sistema de recenseamento eleitoral automático, considerado uma ferramenta capaz de aumentar a transparência e reduzir os constrangimentos dos processos eleitorais no país.

Os participantes defenderam ainda maior responsabilidade dos cidadãos na atualização dos seus dados pessoais e apelaram aos partidos políticos para uma campanha baseada em propostas e não em manipulação ou desinformação.
MAXIMINO CARLOS - REPRESENTANTE DOS FORMANDOS
“A democracia fortalece quando os cidadãos escolhem com base em propostas, projetos e visões para o país, e não através do medo, da mentira ou da manipulação.”
Presente na cerimónia, o representante da cooperação portuguesa sublinhou que não existe democracia sólida sem uma comunicação social livre, plural e profissional.

O responsável considerou que o jornalismo político desempenha um papel central no esclarecimento dos cidadãos, sobretudo num contexto marcado pela rápida circulação de informação nas redes sociais.
LUIS LEANDRO DA SILVA - REPRESENTANTE DA EMBAIXADA DE PORTUGUESA
“Não há democracia sólida sem cidadãos bem informados e não há cidadãos bem informados sem uma comunicação social livre, plural, rigorosa e profissional.”
O projeto PRESE, que sustenta esta formação, nasceu das recomendações da missão de observação eleitoral da União Europeia de 2022 e visa modernizar o sistema eleitoral são-tomense, com destaque para o recenseamento automático e o reforço das capacidades institucionais.
A jornalista portuguesa Graça Picão, responsável pela formação, alertou para as fragilidades ainda existentes no setor da comunicação social em São Tomé e Príncipe e defendeu mais independência económica dos órgãos de informação.
GRAÇA PICÃO, FORMADORA
“Não há democracia sem jornalismo livre.”
A formadora insistiu ainda na necessidade de os jornalistas ultrapassarem o papel de simples transmissores de declarações políticas, defendendo um jornalismo mais analítico, contextualizado e rigoroso.
GRAÇA PICÃO, FORMADORA
“Compete aos jornalistas interpretar e contextualizar aquilo que é a mensagem política.”
Ao longo de vários dias, jornalistas da rádio, televisão, imprensa escrita e plataformas digitais participaram nesta ação de capacitação considerada estratégica para a cobertura dos próximos atos eleitorais em São Tomé e Príncipe.