São Tomé, 19 de fevereiro de 2026 – Quem viveu os Carnavais de outrora no distrito de Água Grande guarda com saudade as memórias de um tempo em que a festa era verdadeiramente popular e estruturada. Começava com apresentações vibrantes na Praça da Independência ao domingo, seguia-se o grande desfile pelas artérias principais da capital na terça-feira de Carnaval e culminava num grandioso festival no Parque Popular, transformando a cidade num mar de cor, música e convívio.

Esse Carnaval, infelizmente, deixou de existir há mais de oito anos. O que antes era uma tradição enraizada e geradora de renda para muitas famílias — das tias que vendiam búzio às primas dos gelados, passando pelos amigos da caipirinha e da cerveja — transformou-se em ausência. O Parque Popular, que deveria ser o coração pulsante de lazer, cultura, desporto e orgulho comunitário, permanece subutilizado, longe de ser o espaço vivo que outrora foi.
Neste cenário de nostalgia e abandono, destacam-se dois jovens
incansáveis: Armindo Silva e Sebastião Sacramento D'Alva
Teixeira. Contra tudo e contra todos, sem apoios financeiros, logísticos ou
reconhecimento oficial, eles persistem em tentar resgatar o espírito da festa.
Quem esteve no Parque Popular recentemente pôde testemunhar de perto o esforço,
o sofrimento e a resistência desses dois promotores da cultura e do
entretenimento local. Eles fazem o possível — e muitas vezes o impossível —
para manter acesa a chama de uma tradição que pertence a todos nós.
Não podemos esquecer também o contributo de outro jovem que marcou época: Tanyel Viegas, que durante vários anos dedicou-se ao Carnaval de Água Grande com paixão e entrega.
A pergunta que fica no ar é inevitável: Até quando continuaremos nesta situação? De quem é a responsabilidade por esta perda cultural e económica? Por que o Parque Popular não volta a ser o palco de eventos que reúnem famílias, crianças a brincar, jovens a praticar desporto e a comunidade a celebrar?
Um festival como o que existia não é apenas folia: é economia local ativa, é
identidade cultural fortalecida, é saúde mental e social através do convívio. É
tempo de reflexão coletiva. As autoridades, a sociedade civil e cada cidadão
podem — e devem — fazer mais para apoiar iniciativas como a destes jovens e
devolver ao distrito de Água Grande o Carnaval que merece.

Deixamos o convite aberto: partilhem nos comentários as vossas memórias,
opiniões e sugestões. O que podemos fazer para mudar esta realidade, que a folia volte a tomar conta das nossas ruas e do
nosso Parque Popular
Por: Calisto Nascimento

