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Missão médica de otorrinolaringologia termina em São Tomé e Príncipe com balanço negativo e alerta para a surdez infantil

Chega ao fim a quadragésima sexta missão médica portuguesa de otorrinolaringologia em São Tomé e Príncipe. Liderada pela médica portuguesa Cristina Carroça, a missão ficou marcada por vários constrangimentos logísticos, desde logo problemas no voo, que atrasaram o início dos trabalhos e reduziram o número de consultas e cirurgias previstas.


“Foi uma missão mais difícil. Tivemos menos dias de bloco operatório e menos doentes operados do que aquilo que gostaríamos. Ainda assim, fizemos o que foi possível com os meios disponíveis.” 
Cristina Carroça / Chefe da Missão




Outro dos fatores que contribuiu para o balanço negativo foi a ausência significativa de pacientes nas consultas programadas. Entre 20 a 30 por cento dos doentes não compareceram, limitando a intervenção da equipa de profissionais especializados de saúde.


“A ausência dos doentes foi um dos grandes problemas desta missão e isso condiciona muito o impacto do nosso trabalho.”


Apesar das dificuldades, foram realizadas cirurgias otológicas e nasais, sobretudo em crianças com hipertrofia das amígdalas e das adenoides. Das 11 cirurgias inicialmente previstas, duas acabaram por ser canceladas por razões de segurança clínica.


“A segurança do doente está sempre em primeiro lugar. Houve intercorrências respiratórias e optámos por não avançar com as cirurgias.”


A missão reforçou também a importância do diagnóstico precoce da audição infantil, alertando para o impacto da surdez no desenvolvimento da fala e das capacidades cognitivas.


“A audição é fundamental. As crianças precisam ouvir bem para falar bem e para se desenvolverem cognitivamente.”




Paralelamente à assistência médica, a equipa deu continuidade a um projeto de investigação científica, que estuda a possível relação entre a deficiência da enzima G6PD, conhecida como favismo, e alterações neurológicas como surdez, ausência de fala e défices cognitivos.


“O nosso objetivo é perceber se esta pode ser uma das causas destas alterações e, no futuro, implementar medidas de prevenção.” Cristina Carroça / Chefe da Missão


Uma missão que termina com um balanço negativo, mas que deixa alertas importantes para a prevenção, a investigação e o reforço dos cuidados de saúde infantil em São Tomé e Príncipe.



Por: Varela Tavares

Imagem: TVS

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