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Moçambique: Chapo considera comités locais os verdadeiros campeões da redução do risco de desastres

O Presidente da República destaca o papel de mais de 1.500 comités locais na prevenção de calamidades e no salvamento de vidas humanas.


O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, considerou, esta terça-feira, 13 de Outubro, em Maputo, os Comités Locais de Gestão e Redução do Risco de Desastres os principais protagonistas dos esforços de prevenção e protecção das comunidades face às calamidades naturais.


“Estes é que são os verdadeiros campeões, estes é que são os heróis no salvamento de vidas do povo moçambicano”, afirmou o Chefe do Estado, durante a abertura da Conferência Internacional sobre Redução do Risco de Desastres e Resiliência em África. 



Na sua intervenção, Chapo destacou a existência de mais de 1.500 comités locais no país, que actuam directamente nas comunidades, sobretudo nas zonas vulneráveis a cheias, inundações e ciclones, através da divulgação de alertas em línguas locais, do uso de megafones e da mobilização das rádios comunitárias.


Segundo o Presidente da República, estas estruturas constituem a primeira linha de defesa das populações, permitindo antecipar riscos e facilitar a retirada das pessoas das zonas ameaçadas antes da ocorrência de fenómenos extremos.

O estadista apontou a evolução dos mecanismos de prevenção como um dos factores que contribuem para a redução do número de vítimas mortais. Como exemplo, comparou as cheias de 2000, que provocaram mais de 700 mortes, com as ocorridas em 2026, que, apesar da sua magnitude, resultaram em menos de 200 vítimas mortais, de acordo com os dados apresentados no seu discurso. 



Prevenção exige mais investimento e cooperação


Durante a conferência, Daniel Chapo defendeu igualmente o reforço dos sistemas de aviso prévio, a capacitação das comunidades e o investimento em infra-estruturas resilientes, como medidas essenciais para reduzir os impactos das calamidades e proteger os ganhos de desenvolvimento.


O Chefe do Estado chamou ainda a atenção para a dimensão dos desastres em África. Segundo os dados apresentados no Quarto Relatório Bienal de África sobre a implementação do Programa de Acção do Quadro de Sendai, no biénio 2023-2024, o continente registou mais de 74 mil mortes, cerca de 64 milhões de pessoas afectadas e perdas económicas superiores a oito mil milhões de dólares norte-americanos. 


Neste contexto, o Presidente apelou ao reforço da cooperação entre os governos africanos, os parceiros de desenvolvimento e as instituições internacionais, defendendo maior mobilização de recursos para a prevenção, resposta e recuperação pós-desastre.


A Conferência Internacional sobre Redução do Risco de Desastres e Resiliência em África decorre em Maputo, de 13 a 15 de Outubro, sob o lema “Ampliar a Governação Proactiva e o Investimento Estratégico para a Redução do Risco de Catástrofes e uma África Resiliente”, reunindo representantes governamentais, especialistas e parceiros internacionais para debater soluções de fortalecimento da resiliência no continente. 


Por Elton Mabjaia