O Presidente da República, Daniel Chapo, defendeu, este domingo, em Xai-Xai, província de Gaza, que a consolidação da paz em Moçambique exige mais do que a ausência de conflito armado, apontando o diálogo, a reconciliação, a unidade nacional e a independência económica como pilares para uma nova etapa de construção do país.

Falando na cerimónia central dos 34 anos da assinatura do Acordo Geral de Paz, o Chefe do Estado afirmou que o 4 de Outubro representa uma conquista colectiva dos moçambicanos e uma demonstração de que as diferenças podem ser ultrapassadas através do diálogo.
Para Chapo, a principal lição do Acordo Geral de Paz continua actual: os moçambicanos devem substituir o confronto pelo diálogo, a divisão pela reconciliação e a guerra pela esperança.
O Presidente defendeu, neste contexto, o aprofundamento do Diálogo Nacional Inclusivo, considerando-o um espaço para que os moçambicanos discutam as suas diferenças e encontrem soluções para os principais desafios do país.
Segundo Chapo, nenhum Governo, partido político ou instituição consegue garantir sozinho a paz, razão pela qual a sua preservação deve constituir uma responsabilidade colectiva.
Independência económica como nova fronteira da paz
No seu discurso, o Chefe do Estado associou igualmente a consolidação da paz à criação de melhores condições de vida para os moçambicanos, colocando a independência económica como um dos grandes desafios da actualidade.
Chapo defendeu o aumento da produção nacional, particularmente agrícola, a transformação local dos produtos e a criação de oportunidades de emprego para jovens e mulheres como caminhos para reduzir a dependência económica e transformar os ganhos da paz em benefícios concretos para as famílias.
Terrorismo continua a ameaçar a paz
A situação de segurança também mereceu destaque na comunicação presidencial. Daniel Chapo reafirmou a determinação das Forças de Defesa e Segurança no combate ao terrorismo, que continua a ameaçar a paz em alguns distritos das províncias de Cabo Delgado, Niassa e Nampula.
O Presidente considerou a paz e a segurança da Pátria como valores inegociáveis e apelou à solidariedade nacional para com as populações afectadas pelo terrorismo.
Religião chamada a reforçar cultura de paz
Sob o lema “A Religião como Promotora da Paz e Segurança”, Chapo reconheceu o papel desempenhado pelas confissões religiosas durante o conflito armado, destacando as orações, vigílias, marchas e iniciativas de mediação que contribuíram para a reconciliação dos moçambicanos.
O Chefe do Estado desafiou ainda as instituições religiosas a contribuírem para o resgate dos valores morais e éticos, considerando-os fundamentais para fortalecer a convivência social e consolidar a paz.
Paz deve começar nas escolas e nas famílias
Na sua intervenção, Daniel Chapo defendeu igualmente a construção de uma verdadeira cultura de paz nas escolas, famílias, comunidades e instituições.
O Presidente entende que as novas gerações devem ser educadas para o respeito pelas diferenças, tolerância, solidariedade e resolução pacífica de conflitos, de modo a evitar a repetição dos ciclos de violência.
Ao marcar os 34 anos do Acordo Geral de Paz, Chapo apelou, assim, a uma nova responsabilidade colectiva: preservar a paz conquistada em 1992, aprofundar a reconciliação e transformar a estabilidade nacional em desenvolvimento, emprego, dignidade e independência económica para os moçambicanos.
A abordagem coloca a independência económica como uma dimensão da consolidação da paz, sem perder o foco central do discurso presidencial em Xai-Xai.
Por: Elton Mabjaia