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Moçambique: Membros do Conselho  Nacional  da RENAMO expulsam António  Muchanga

A Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO) volta a estar no centro das atenções políticas, na sequência da expulsão de António Pedro Muchanga, antigo deputado e uma das figuras mais conhecidas da formação política, numa altura em que o partido enfrenta uma profunda disputa interna pela liderança.


A decisão, tomada em sede do Conselho Nacional, foi confirmada pelo porta-voz da RENAMO, Marcial Macome, segundo a informação avançada para esta notícia.

O afastamento de Muchanga surge num contexto de crescente contestação à liderança de Ossufo Momade, com diferentes sectores do partido a defenderem mudanças na direcção e a exigirem uma nova orientação política. O antigo deputado esteve entre as vozes que publicamente defenderam a saída de Momade da presidência da organização.


 Quem é António Muchanga?


António Pedro Muchanga é um histórico dirigente da RENAMO e antigo deputado da Assembleia da República, tendo-se destacado pela sua intervenção política e pelas posições críticas em relação à direcção do partido.

Durante a legislatura de 2019 a 2024, foi uma das figuras mais mediáticas da bancada parlamentar da RENAMO, participando frequentemente no debate político nacional e em programas televisivos de análise da actualidade.

Nos últimos meses, Muchanga passou a integrar o grupo de críticos que exigem mudanças na liderança de Ossufo Momade, numa altura em que a RENAMO procura recuperar a sua influência política, depois dos resultados eleitorais desfavoráveis de 2024.

Em Fevereiro de 2026, o Conselho Jurisdicional da RENAMO já tinha anunciado a suspensão de Muchanga, alegando violação dos estatutos, desobediência aos órgãos do partido e declarações ofensivas contra dirigentes. Na ocasião, o político contestou o procedimento e questionou a sua legalidade. 


 Disputa pela liderança agrava crise interna

A expulsão ocorre num momento particularmente sensível para a RENAMO, que procura definir o seu futuro político e preparar a sucessão de Ossufo Momade. O Conselho Nacional, órgão deliberativo do partido entre congressos, reúne dirigentes e conselheiros para discutir questões fundamentais da vida interna da organização.

A contestação à actual liderança ganhou expressão depois do desempenho eleitoral de 2024, que reduziu o peso político da RENAMO e intensificou as exigências de renovação interna.

Neste cenário, o afastamento de uma figura com a visibilidade política de António Muchanga poderá aprofundar as divisões entre os apoiantes da actual direcção e os sectores que defendem mudanças.

A decisão também levanta questões sobre o espaço reservado à crítica interna, o respeito pelos procedimentos estatutários e a capacidade do partido para gerir divergências sem comprometer a sua coesão.

Mais do que o afastamento de um dirigente, o caso Muchanga coloca a RENAMO perante um desafio político decisivo: gerir a disputa pela liderança e preservar a unidade numa fase de fragilidade eleitoral.


Por Elton Mabjaia