A revolta tomou conta das comunidades entre Desejada, Monte Macaco, Boa Entrada, Água 2 até a Escola de Potó e zonas vizinhas. Cansados de esperar por uma solução para o avançado estado de degradação da estrada, moradores decidiram erguer barricadas e interromper a circulação, numa ação que acabou por gerar tensão com a Polícia Nacional.

No terreno, o sentimento é de saturação total. A população afirma que já não acredita em promessas e exige medidas concretas.
Adelino Santana / Morador
“A preocupação total é que nós temos essa estrada que enquanto não for reabilitada nunca mais nós vamos voltar para nenhum partido. É por isso que nós fizemos isso hoje. Se não resolver, vamos fazer braço firme.”

A estrada, considerada vital para a mobilidade e o comércio local, tem impacto direto na vida económica das famílias, sobretudo das vendedeiras que dependem do acesso à cidade.
“A preocupação da comunidade, principalmente, são as palaiês que fazem o seu negócio em Bobo-Foro e têm dificuldades de vir para Monte Macaco. Até os condutores não querem trazer as pessoas para a zona por causa das condições da estrada.” António Silva Presidente da comunidade de Monte Macaco

Além das dificuldades económicas, os moradores denunciam o que consideram falta de sensibilidade por parte das autoridades.
“Não é só a nossa preocupação, porque o próprio executivo passa publicamente por aqui e vê que é um grande problema. Parece que quem usa transportes do Estado não se preocupa. Quando é carro do Estado, se estragar troca-se, mas o cidadão sofre. A população decidiu fazer barricada para ver se o Governo também sente a nossa dor.” Engrácio Santos Morador de Potó:

As vendedeiras relatam um quotidiano de sacrifício, marcado pelo isolamento e pelo esforço físico extremo.
“Somos vendedoras de Bobo-Foro. Os carros deixam-nos longe, no portão de Boa Entrada. Temos que carregar as mercadorias na cabeça porque ninguém quer subir até Monte Macaco.” Maisa Carvalho, Moradora de Monte Macaco:

“Por que é que o Governo só aparece para pedir voto? Nós queremos caminhos. Não estamos a reclamar à toa, estamos a exigir o nosso direito.” Julieta / Feirante

Outro ponto de tensão é a execução da obra, que, segundo os moradores, está praticamente parada há anos.
“A primeira pedra foi lançada há quatro anos e até agora nada. Devia estar concluída. Só vemos quatro pessoas a trabalhar. Uma obra dessas devia ter pelo menos 40 trabalhadores. A população revoltou-se porque não vê vontade de ninguém.” Residente em Monte Macaco

Os taxistas também relatam prejuízos constantes, com viaturas danificadas devido às más condições da via.
“Os nossos carros estão a ser danificados. O Governo tem que dar uma certeza. Durante todo esse tempo não vimos melhorias.” Taxista

“A estrada está muito degradada. Suspensão, pneus, tudo se estraga. Até os alunos sofrem para chegar à escola. Nós apoiamos a ideia de travar a estrada para o Governo sentir o que estamos a passar.” Taxista:

A situação agravou-se quando os manifestantes que já aviam levantado cinco barricadas ao longo do troço. Sem resposta imediata, decidiram bloquear diretamente o cruzamento de Santo Amaro.

A Polícia Nacional no local para negociar a desobstrução da via, mas o ambiente tornou-se tenso, foi feito a detenção de um cidadão que estava vestido com uma arma branca (Catana) e a população não aceitou tendo gerado um confronto entre manifestantes e força de segurança (Polícia) durante esses momentos , foi efetuado um disparo para dispersar a multidão. Ainda assim, minutos depois, alguns manifestantes arremessaram pedras contra o dispositivo policial, atingindo um agente e uma viatura, o cidadão que estava detido vou solto pôs estava vestido de arma branca (Catana) não para a manifestação diretamente mais estava a ser utilizada para cortar arvore em torno das barricadas.

Apesar dos incidentes, as autoridades mantiveram o diálogo com a população, numa tentativa de evitar o agravamento da situação e restabelecer a ordem pública. No mesmo dia o Ministro da Defesa e o Ministro das Infraestruturas deslocaram ao terreno para conversar com a população e se enterrar melhor da situação, segundo relatos da população, em Desejada e arredores a ouve avanço por parte das negociações, depois destas localidades a caravana seguiu-se para Madalena onde os ministros entraram em contacto com a população para chegar a um entendimento, o ministro das infraestrutura garantiu a população que o executivo está a dar as diligencias para que os maquinas viessem já no dia seguinte para avançar os trabalho mas a resposta da população não foi satisfatória, a população simplesmente disse que assim que as maquinas chegassem é que as barricadas seriam levantadas essa resposta a população deu a comitiva no dia 24 na ultima Terça-Feira por volta das 17H45 minutos um pouco mais acima da zona de Obô Izaquente no cruzamento.
POR: Varela Tavares