Durante a cerimónia de abertura, marcada por discursos institucionais e homenagens a profissionais da comunicação social, várias intervenções convergiram num mesmo alerta: a democracia santomense enfrenta novos desafios na era digital, sobretudo diante da proliferação das fake news, do discurso de ódio e das pressões sobre os jornalistas.

Um dos momentos mais marcantes do encontro foi a intervenção que associou diretamente a defesa da liberdade de imprensa à consolidação da democracia no país, especialmente num ano eleitoral considerado decisivo. O recordou que, após a instauração do regime democrático na década de 90, São Tomé e Príncipe passou a construir um modelo de comunicação social mais plural e orientado pelo interesse público.
“Uma imprensa livre significa maior transparência, maior escrutínio e maior credibilidade das instituições”, destacou, sublinhando que o compromisso com a verdade deve permanecer como principal bandeira dos jornalistas santomenses.

Eleições colocam imprensa sob pressão
O tema “Jornalismo na Era Digital e no Contexto Eleitoral” dominou o fórum e refletiu as preocupações em torno das eleições presidenciais previstas para julho e das legislativas, autárquicas e regionais marcadas para setembro.
As autoridades presentes defenderam um jornalismo independente, rigoroso e capaz de resistir às pressões políticas e à manipulação digital. Segundo os intervenientes, a comunicação social terá um papel determinante na formação da opinião pública e na promoção de debates equilibrados entre os diferentes atores políticos.

Foi ainda reconhecido que a era digital trouxe oportunidades inéditas de acesso à informação, mas também abriu espaço para campanhas de desinformação e conteúdos manipulados que podem comprometer a estabilidade democrática.
Conselho Superior de Imprensa denuncia dificuldades no setor
Na sua intervenção, o presidente do Conselho Superior de Imprensa chamou atenção para as dificuldades estruturais enfrentadas pelos profissionais da comunicação social no país.
Entre os principais problemas apontados estão a falta de equipamentos, escassez de meios técnicos e rolantes, baixos salários e insuficiência de formação especializada. Apesar disso, o responsável elogiou os jornalistas que continuam a exercer a profissão “com dedicação, zelo, profissionalismo e imparcialidade”.

O Conselho revelou ainda que muitos profissionais continuam a denunciar práticas de censura e autocensura dentro dos órgãos de comunicação social, embora reconheça uma redução da interferência política nos últimos anos.
“O jornalismo responsável, livre e imparcial deve combater a desinformação e proteger a sociedade contra o discurso de ódio e os ataques às instituições democráticas”, afirmou.
Governo promete modernização da comunicação social
Representantes do Governo reafirmaram o compromisso com a liberdade de expressão e anunciaram esforços para a modernização da rádio e da televisão públicas, incluindo projetos de digitalização e preservação dos arquivos históricos dos órgãos de comunicação social.

O Executivo garantiu também estar a trabalhar na melhoria das condições de trabalho dos jornalistas e técnicos da comunicação social, em articulação com o Sindicato dos Jornalistas.
Ao mesmo tempo, reconheceu que a crescente crispação política no país representa um desafio para a coesão social, apelando à responsabilidade dos profissionais da imprensa no tratamento das informações.
Homenagem a jornalistas marca cerimónia
As comemorações ficaram igualmente marcadas pela homenagem ao jornalista 𝗠𝗮́𝘅𝗶𝗺𝗶𝗻𝗼 𝗖𝗮𝗿𝗹𝗼𝘀, reconhecido pelos seus contributos à classe jornalística santomense.

Emocionado, o profissional dedicou o reconhecimento à população santomense e aos colegas que ajudaram a construir a história da comunicação social nacional.
“Trabalhamos para que as pessoas estejam informadas, apesar das dificuldades”, afirmou, sob aplausos dos presentes.

O evento reuniu representantes dos tribunais, membros do Governo, jornalistas, dirigentes de órgãos de comunicação social, representantes da Entidade Reguladora da Comunicação Social de Angola e convidados internacionais ligados ao setor da imprensa.
Por: Varela Tavares
Imagem: Siclay Abril
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