Tambores, ritmo e muita energia em palco. A Orquestra Social Toca a Rufar fez dois anos de atividade em São Tomé com mais uma atuação perante o público. Entre os espectadores estavam pais e encarregados de educação.
"Eu acho isso muito importante. (…) É uma ótima iniciativa em São Tomé e Príncipe porque, que eu saiba, essa é a única banda infantil que nós temos. (…) Então eu acho muito importante mesmo isso."
"É uma forma de as crianças se ocuparem com outra coisa, e não só. Dessa forma nós também vamos descobrir os novos talentos em São Tomé e Príncipe."

O projeto tem valor educativo e junta influências da música africana e da tradição portuguesa.
"É verdadeiramente transformador para a vida dos jovens, não só na sua aprendizagem musical, mas também na convivência em conjunto. (…) É uma filosofia de trabalhar em conjunto, de valores do grupo, da unidade, e portanto é um projeto verdadeiramente diferenciador."
Em dois anos, ou 104 semanas, a orquestra só falhou três ensaios. O fundador e maestro, Rui Júnior, diz que isto mostra a dedicação dos jovens.
Rui Júnior, Fundador e Maestro da Orquestra Social Toca a Rufar
"Dois anos de ensaios quer dizer, em 52 semanas vezes 2, 104 semanas, nós apenas falhámos 3 ensaios. O que é que isto representa? 101 ensaios de 3 horas, muito trabalho, muita dedicação, muito empenho, que é isto que o projeto exige das crianças e dos jovens, porque eu sei que eles são capazes."

Os ensaios duram três horas, das 9 às 12. Além da música, os jovens aprendem a organizar-se, a trabalhar em grupo e a manter a concentração.
Rui Júnior, Fundador e Maestro
"Aperfeiçoar, aperfeiçoar, aperfeiçoar. (…) Eu não quero que o público considere apenas giro. É giro que tem crianças, é giro que tem jovens, é giro que é animado, que tem tambores. Eu não quero que seja giro, eu quero que seja muito bem tocado, com uma capacidade técnica igual à de um profissional."
A maioria dos jovens está na orquestra desde o primeiro dia. Eliane Fernandes é uma delas e fala da evolução do grupo, que também passou a ter instrumentos novos.
"Nós evoluímos muito como pessoas e como tocadores também, como orquestra. Nós evoluímos nos materiais, agora temos tambores novos, vocês repararam, temos o Bombo Grande e o Timbalão."
Amália Ferreira começou nos bombos e hoje toca caixa. Diz que a música também a ajuda na escola.
Amália Ferreira, Membro da Orquestra
"Isso ajudou-me bastante, principalmente na concentração na escola, por exemplo. Nós temos mais coordenação motora."
Dois anos depois da estreia, a Orquestra Social Toca a Rufar quer continuar a crescer e mostrar que os jovens são-tomenses podem tocar ao nível dos profissionais.