
Uma manifestação pacífica reuniu hoje dezenas de moradores das comunidades rurais de **Mato Cana, Claudino Faro, Anselmo Andrade e Bernardo Faro**. Os cidadãos exigem o aceleramento do processo de requalificação da estrada, que se encontra em avançado estado de degradação.
Danilson dos Santos, presidente da comissão organizadora da manifestação e residente em Claudino Faro, explicou os motivos:
> “Estamos em representação a quatro zonas: Mato Cana, Anselmo Andrade, Bernardo Faro e Claudino Faro. O que nos motiva para essa manifestação são as condições de estrada que nós temos — águas paradas, estradas emburacadas, onde a ambulância não entra. Nós temos problemas de saúde por causa da estrada, temos problemas de crianças que, muitas vezes, faltam aula por causa da estrada.”
Danilson recordou ainda a promessa feita pelo Primeiro-Ministro:
> “No setembro do ano passado, o seu primeiro-ministro passou dessa via e disse que, há 45 dias, teria o lançamento da estrada. E até hoje nós não temos ainda este problema resolvido.”
Os manifestantes enviaram cartas ao Primeiro-Ministro, ao Ministério das Obras Públicas e à PRIASA. Após reunião com a PRIASA, foi-lhes transmitido que o processo está em curso, mas depende ainda de vários trâmites, nomeadamente do ENAI e do financiador externo.
Fátima, representante da comunidade de Claudino Faro e da Mulher Rural São Tomé e Príncipe, não escondeu a revolta:
> “Eu não venho falar de manifestação, eu vou falar de revolta. [...] Nós estamos cansadas, nós estamos a sofrer, principalmente as mulheres desse corredor, que levantam às 4 horas da manhã. [...] A promessa não foi feita, tem que ser cumprida. [...] Não podemos admitir mentira! Nós queremos verdade! Estamos a sofrer!”

Fátima lembrou ainda que o projeto tem 18 milhões de dólares disponíveis para estradas, mas o valor estimado para esta via ronda os 8 milhões de dólares.
Maurício Pereira Silva, presidente da comunidade de Mato Cana, reforçou o caráter apartidário da iniciativa:
> “O objetivo dessa manifestação que vai ser realizada hoje é devido à emboscada da nossa estrada que já foi manifestada desde 2023. [...] A nossa manifestação é uma manifestação passiva, não foi mandada por nenhum político. É a manifestação das comunidades rurais.”
Os moradores avisam que a paciência está a esgotar-se. Se não houver avanços concretos, admitem tomar medidas mais gravosas no futuro, como o corte do escoamento de produtos agrícolas para o mercado nacional.
Os manifestantes apelam ao Governo para que acelere os procedimentos junto do ENAI e do financiador internacional, de forma a que as obras possam finalmente começar. Segundo eles, está em causa não apenas a qualidade de vida, mas também a segurança e a saúde das populações destas comunidades.