A cidade da Trindade acolheu o ato central das celebrações do Dia Nacional de Prevenção e Combate à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes. A marcha reuniu representantes do governo, UNICEF, rede de proteção infantil, autoridades locais, professores, pais e dezenas de crianças.
O objetivo foi claro: romper o silêncio e reforçar a luta contra os abusos e maus-tratos que continuam a atingir menores em São Tomé e Príncipe.
REPRESENTANTE DO GOVERNO**
“A marcha que nós fazemos hoje é para quebrar a barreira do silêncio. É para dizer ao vizinho para estar em alerta. É para dizer a cada menino e a cada menina que não estão sozinhos.”

Num dos discursos mais emocionantes da cerimónia, foi recordado o crime bárbaro ocorrido há cerca de onze anos na Trindade, quando três crianças foram assassinadas, um episódio que continua vivo na memória coletiva do país.
O governante defendeu que a luta contra a violência infantil vai além das leis e das instituições.
REPRESENTANTE DO GOVERNO**
“São Tomé e Príncipe precisa de mudar de consciência. Precisamos de pais atentos, professores atentos e vizinhos atentos.”
O UNICEF também reforçou o compromisso de continuar a apoiar o país no fortalecimento dos sistemas de proteção infantil, defendendo que a responsabilidade de proteger crianças deve ser coletiva.
REPRESENTANTE DO UNICEF**
“A proteção não é responsabilidade de uma única instituição, mas sim um dever coletivo que exige cooperação, vigilância e compromisso mútuo.”

A representante do UNICEF alertou ainda que a violência começa muitas vezes em pequenos sinais ignorados pela sociedade, sublinhando a importância da denúncia e da prevenção.
REPRESENTANTE DO UNICEF**
“Marchamos para despertar a consciência individual de cada um de nós, porque a proteção começa nas nossas atitudes diárias.”
Durante o ato, responsáveis da Rede de Proteção das Crianças e Adolescentes destacaram os avanços alcançados no atendimento às vítimas, com a criação de mecanismos mais humanizados de resposta judicial, médica e social.
REDE DE PROTEÇÃO**
“Hoje, as crianças já não têm que conviver sozinhas com os traumas. Já existe uma rede de proteção funcional e uma justiça harmonizada voltada para a preservação dos direitos da criança.”

A autarquia de Mé-Zóchi também reiterou tolerância zero contra qualquer forma de violência sexual e apelou ao reforço do papel da família na educação e proteção dos menores.
AUTARQUIA DE MÉ-ZÓCHI**
“A violência sexual destrói vidas, famílias e comunidades. Devemos trabalhar juntos para criar ambientes seguros onde ninguém tema sofrer qualquer tipo de violência.”

A marcha contou igualmente com forte participação infantil. Entre palavras de ordem e mensagens de sensibilização, as próprias crianças defenderam mais ações de combate ao abuso sexual.
HAMILTON, PARTICIPANTE**
“Essa marcha pode ajudar a acabar com o abuso sexual de menores porque todos vão saber onde reclamar.”

Sob aplausos e palavras de esperança, o ato terminou com um apelo nacional à denúncia, à proteção e ao compromisso coletivo.
A mensagem deixada na Trindade foi direta: combater a violência sexual infantil exige união, vigilância permanente e coragem para quebrar o silêncio.