Condutores denunciam degradação da via há mais de seis meses e exigem intervenção urgente do Governo
Os taxistas que operam no troço entre Obô-longo, Cruzeiro, Pau Sabão e outras localidades da zona anunciaram uma paralisação dos serviços de transporte a partir desta terça-feira, em protesto contra o avançado estado de degradação da estrada.
A decisão foi anunciada por Claudino Gonçalves da Graça, representante dos taxistas da região, durante uma entrevista concedida no local. Segundo explicou, os profissionais do setor afirmam já ter realizado vários encontros com o Ministério das Infraestruturas, mas até agora nenhuma intervenção concreta foi feita na via.
“Essa estrada não está em condições para circulação de táxis. Parece estrada para trator”, afirmou o porta-voz, sublinhando que os buracos e o estado do piso têm provocado constantes avarias mecânicas nas viaturas.

De acordo com os taxistas, cerca de 28 condutores utilizam diariamente aquele percurso de aproximadamente nove quilómetros. Os profissionais garantem que a paralisação poderá durar entre 15 a 20 dias caso não haja resposta das autoridades.
Os motoristas dizem que os prejuízos aumentam diariamente com a substituição frequente de pneus, amortecedores, rótulas e outras peças mecânicas. “O dinheiro que fazemos já não cobre as despesas do carro”, lamentou Fernando Almeida, taxista há mais de dez anos naquela rota.

Além dos transportadores, moradores da comunidade também manifestaram preocupação com a situação da estrada. Elsa Palhares, residente em Obô-longo, explicou que a população enfrenta grandes dificuldades para chegar à cidade devido à escassez de táxis e às más condições de circulação.
“Às vezes ficamos muito tempo à espera. Temos de apanhar moto até Trindade para conseguir transporte”, contou.

Motoqueiros que utilizam diariamente a estrada também denunciam acidentes frequentes e dificuldades de circulação. Romeu da Mata afirmou que muitos motociclistas já sofreram quedas devido aos buracos existentes ao longo da via.
Apesar do anúncio da paralisação, os taxistas garantem que não pretendem bloquear a estrada nem criar barricadas. Segundo os organizadores, a medida consistirá apenas na suspensão do transporte de passageiros nos carros amarelos que operam naquela zona.
A população apela agora a uma intervenção urgente do Governo, defendendo pelo menos uma operação de tapa-buracos enquanto não for possível uma reabilitação total da estrada.
A paralisação deverá afetar sobretudo os trajetos entre Bolongo, Água Roce, Cruzeiro, Magrela Mandela e Palha, zonas onde centenas de moradores dependem diariamente do transporte público para trabalhar, estudar e ter acesso a serviços básicos.