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O cacau santomense voltou a estar no centro das atenções, desta vez como ponte entre culturas e motor de desenvolvimento económico. Durante uma palestra dedicada ao intercâmbio entre São Tomé e Príncipe e o Japão, especialistas, autoridades e parceiros internacionais destacaram o impacto crescente do produto nacional no mercado asiático e a necessidade de valorização da identidade local.



O encontro reuniu representantes do Governo, empresários e parceiros japoneses, num momento que coincide com a celebração dos 50 anos de relações diplomáticas entre os dois países.


Logo na abertura, foi lançada a reflexão sobre o significado da cultura japonesa para São Tomé e Príncipe, com foco na valorização das tradições locais.


“O chá deixou de fazer parte da nossa cultura. Antigamente, era um hábito diário. Hoje, já não valorizamos nem isso, nem o nosso cacau e café. Enquanto isso, outros países estão a promover o que é nosso além-fronteiras.”

Isabel Abreu Ministra da Educação / Participante





A mensagem foi reforçada ao longo do evento: o cacau não é apenas um produto agrícola, mas um símbolo da identidade nacional. 


“A nossa marca, neste momento, é o cacau. É a nossa identidade e está presente em todo o mundo.” 
Isabel Abreu Ministra da Educação / Participante



Do lado japonês, o interesse pelo cacau santomense vai além do sabor. Empresários destacam a riqueza sensorial e o potencial do produto na alta confeitaria.


“Quando conheci o cacau de São Tomé, percebi um sabor intenso e um aroma muito complexo. Isso enriquece muito o nosso trabalho. Além disso, as pessoas daqui são extremamente acolhedoras, o que reforça ainda mais essa ligação.”  
Empresária japonês do setor de confeitaria



O empresário revelou ainda que o cacau santomense já tem presença no mercado japonês, especialmente em datas comemorativas como o Dia dos Namorados e o “White Day”, períodos de grande consumo de chocolate.

Segundo ele, o produto tem despertado curiosidade e interesse dos consumidores japoneses, muitos dos quais manifestam vontade de conhecer o arquipélago.


O intercâmbio também tem contribuído para o fortalecimento das relações bilaterais. “Estas iniciativas criam oportunidades reais de aproximação entre os dois países e reforçam a cooperação.” Nilda da Mata Ministra do Ambiente



Do lado do Governo, o cacau é visto como peça-chave para o desenvolvimento sustentável, aliando economia, turismo e preservação ambiental.


“O cacau continua a ser um chamariz para investidores. Estamos a apostar numa produção biológica, que responde às exigências do mercado e contribui para a proteção do ambiente.” Nilda da MatMinistra do Ambiente, Turismo e Juventude




A governante destacou ainda que o estatuto de Reserva Mundial da Biosfera impõe responsabilidades acrescidas ao país, exigindo equilíbrio entre crescimento económico e conservação da natureza.



“Temos potencialidades únicas. Agora, é preciso que cada um faça a sua parte para valorizar o que é nosso.” 
Nilda da MatMinistra do Ambiente, Turismo e Juventude


Já a Embaixada do Japão sublinhou a importância simbólica do momento, marcado pelos 50 anos de relações diplomáticas.


 Representante da Embaixada do Japão “Queremos aproveitar este marco para reforçar ainda mais a amizade e a cooperação entre os nossos países. Este tipo de evento contribui diretamente para isso.”




Apesar de ainda pouco conhecido no Japão, o cacau santomense começa a ganhar espaço graças a iniciativas privadas e parcerias estratégicas.


“A promoção feita por empresas japonesas pode aumentar o valor do cacau de São Tomé e dar maior visibilidade à sua qualidade.”



Num momento em que o país procura diversificar a economia e afirmar-se no cenário internacional, o cacau volta a provar que é mais do que um produto agrícola: é um embaixador cultural, económico e ambiental de São Tomé e Príncipe para o mundo.

 

 POR: Varela Tavares

Imagem: TVS

Edição: André Trindade

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