Nos últimos tempos, a crise interna na Ação Democrática Independente ganhou novos contornos, marcada pela realização de encontros políticos fora dos locais habituais de funcionamento do partido.
Reuniões convocadas por militantes ligados ao atual primeiro-ministro, Américo Ramos, já decorreram em vários distritos e regiões do país, nomeadamente Lobata, Cantagalo, Caué, Região Autónoma do Príncipe, Mé-Zóchi e Água Grande.
Face a esta situação, a direção da ADI decidiu avançar com uma queixa-crime junto do Ministério Público, denunciando alegadas práticas ilegais relacionadas com a utilização da estrutura e identidade do partido.
Declaração:**
“Viemos entregar uma queixa-crime contra alguns atos que alguns indivíduos têm vindo a fazer em nome da ADI e que são claramente usurpação de competências que são apenas adstritas à direção do partido legalmente constituído.”

Durante as declarações à imprensa, afirmaram que os atos em causa violam os estatutos internos do partido e podem configurar crimes relacionados com usurpação de funções e utilização indevida da identidade partidária.
O grupo denunciou ainda a realização de encontros políticos não autorizados pelos militantes da outra ala do partido.
“Estão a agir de forma ilegal, convocando reuniões ilegais, usando os símbolos do partido, os carimbos e as insígnias do partido ilegalmente, algo que só é permitido à direção do partido.”
Nas declarações prestadas aos jornalistas, foi citado o nome do atual primeiro-ministro, Américo Ramos, assim como outros elementos ligados ao partido.
“Entendem que estão acima da lei, podem usurpar funções e fazer tudo. Estamos a referir ao Américo Ramos e alguns outros elementos.”
Os denunciantes alertam ainda para aquilo que consideram ser um precedente perigoso para o funcionamento democrático dos partidos políticos em São Tomé e Príncipe.
“Os partidos políticos constituem um dos pilares importantes da democracia. Estando alguém a vandalizar os pilares da democracia, alguém está a cometer um crime.”
Questionados sobre a natureza criminal dos atos denunciados, os responsáveis reiteraram que os estatutos do partido obrigam qualquer militante que pretenda organizar reuniões em nome da ADI a solicitar autorização prévia da direção.
Segundo os denunciantes, a ausência dessa autorização torna as iniciativas incompatíveis com as regras internas do partido.
“Qualquer militante que queira reunir colegas do partido anunciando o nome da ADI tem que pedir autorização à direção do partido. Não tendo sido autorizado, é proibido fazer reuniões em nome do partido.”
O caso deverá agora ser apreciado pelo Ministério Público, que poderá determinar os próximos passos do processo, de acordo com os elementos apresentados.
A situação surge num momento de crescente tensão interna dentro da ADI, numa altura em que o país se aproxima de importantes desafios políticos e eleitorais.