No dia em que se completa um ano de programação governativa, o primeiro-ministro deslocou-se ao Hospital Central com o objetivo de avaliar, no terreno, as condições de funcionamento da instituição e ouvir diretamente profissionais de saúde e utentes.
Durante a visita, o chefe do governo explicou que a iniciativa visa conhecer de forma mais próxima os problemas existentes para melhorar o planeamento das ações futuras.
“É bom estar por perto, conversar com as pessoas, perceber detalhadamente quais são os problemas. Isso vai permitir fazer uma melhor previsão e um melhor planeamento daquilo que se deve fazer.”
O governante reconheceu que o hospital enfrenta dificuldades estruturais antigas, agravadas pela escassez de recursos humanos especializados, imigração de quadros da saúde e limitações na formação.
“A questão dos recursos humanos é visível. Há carência de quadros na saúde,
falta de especialização e dificuldades na formação. Grande parte dos medicamentos e consumíveis utilizados no nosso sistema de
saúde é ofertada pelos parceiros, e há uma diminuição considerável da ajuda
pública ao desenvolvimento.”
Sobre a escassez de água, uma das principais reclamações dos pacientes, o primeiro-ministro admitiu tratar-se de um problema antigo e estrutural.
“O problema da água do hospital já vem de algum tempo. Há vandalização das
linhas, depósitos que não estão suficientemente abastecidos. São questões
estruturais que exigem intervenções de fundo.”
Entretanto, profissionais do hospital relatam uma realidade mais grave no dia a dia. Polina Pinto, funcionária do hospital há 25 anos, descreveu situações críticas, especialmente na maternidade.
“Ultimamente havia confusão na maternidade. Três dias sem água. As mães compram água na estrada para preparar medicamentos e dar banho aos bebés. Um hospital não pode estar sem água. Fiquei dez dias sem água para limpar varanda, janela, enfermaria. Serviço limpo é saúde para a humanidade.” Polina Pinto Funcionária do Hospital Central
Entre os pacientes internados, o descontentamento também é evidente. Sertzana Fernandes, internada há uma semana, relatou dificuldades básicas durante o tratamento.
“Não tem água para tomar banho, nem para beber, nem para tomar medicamento. A
gente tem que sair daqui para procurar água em outra zona. O atendimento até é bom, mas sem água não tem como. Nem para dar banho a bebé,
nem para a gente.”
O primeiro-ministro afirmou que o governo já adquiriu medicamentos para resolver o problema imediato e trabalha num plano de médio e longo prazo, incluindo compras conjuntas e envolvimento de novos parceiros, para garantir maior estabilidade no sistema de saúde.
Jornalista: Ednel Abreu
Imagem: Siclay Abril
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