A falta de combustível na Ilha do Príncipe tem provocado longas filas de motorizadas e viaturas no único posto de abastecimento da ilha. A elevada procura chegou a dificultar a circulação do trânsito, numa altura em que a população enfrenta constrangimentos para garantir o abastecimento das viaturas e o uso doméstico.

O combustível chegou a São Tomé há oito dias, mas só agora começou a ser vendido no Príncipe, o que gerou indignação entre os moradores.
"Está péssimo para o povo do Príncipe, porque a gasolina já veio há oito dias em São Tomé e só chega hoje. Com a quantidade de pessoas que estão aqui, hoje nem vou conseguir gasolina e, se calhar, até amanhã vai terminar", lamentou um utente.
Para os pescadores, a situação tem impacto direto no sustento das famílias. "Quando eu desço aqui assim, vou ficar com fome todos os dias. O governo tem que procurar uma maneira de resolver isto, porque a gente fica sempre na mesma miséria", disse um morador, recordando que antigamente existia uma bomba em Mato-Mato que permitia abastecer para a pesca.
Entre as preocupações manifestadas está a capacidade de abastecimento da ilha. Alguns moradores defendem a existência de uma segunda bomba ou o reforço do transporte marítimo como forma de responder melhor à procura e reduzir o tempo de espera.
"Tendo mais uma bomba, ou um navio para trazer mais combustível, já não tínhamos este problema. Tem que esperar um mês, uma semana, e quando a gasolina chega já está a acabar de novo", afirmou outro utente, sugerindo que o governo devia ter alugado um barco para que o combustível chegasse mais cedo à ilha.

Muitas pessoas percorreram vários quilómetros desde as suas habitações e passaram horas na fila, alguns desde as três da madrugada, sem sucesso. Há também críticas à falta de organização no local.
"Estou aqui há doze horas na fila, estão dois polícias lá e não estão a organizar nada. Toda a gente vai para lá comprar e nós, que estamos na fila, estamos aqui a sofrer com o sol", denunciou um morador.
Os moradores dirigem ainda um apelo às mais altas autoridades do país.
"O apelo que gostaria de fazer ao primeiro-ministro e ao presidente da República é que vejam o povo do Príncipe com um olhar diferente, porque em toda esta situação somos nós que sofremos com esta carência toda."
Perante a situação, a população espera medidas que garantam maior regularidade no abastecimento e reduzam os constrangimentos na ilha.