O antigo primeiro-ministro de São Tomé e Príncipe, Rafael Branco, apresentou a sua nova obra literária intitulada “Meu Nome é Joaquim e Fragmentos de Memórias”, um livro de caráter reflexivo onde revisita episódios marcantes da sua vida pessoal e política, assumindo erros, desafios e aprendizagens construídas ao longo do percurso.

Durante a apresentação, Rafael Branco explicou que a obra não deve ser encarada como uma autobiografia, mas sim como um conjunto de recordações que moldaram a sua personalidade enquanto homem público, pai de família e cidadão santomense.
“Não é um livro sobre grandes feitos ou grandes virtudes. Pelo contrário, há coisas que fiz que não deviam ser feitas. Quem ler pode aprender a não repetir certos erros” Joaquim Rafael Branco

O antigo governante destacou que a leitura e o estudo tiveram um papel decisivo na transformação da sua vida, sobretudo numa juventude que descreveu como “complicada”, marcada por experiências difíceis e escolhas negativas. Segundo Rafael Branco, o livro procura transmitir uma mensagem de superação, mostrando que a vida “não é uma linha reta” e que cada queda pode transformar-se numa oportunidade de recomeço.
Outro dos pontos centrais da intervenção foi a forma como encara a verdade e a memória. O autor reconheceu que o livro apresenta apenas “a sua verdade”, admitindo que outras pessoas poderão ter interpretações diferentes dos mesmos acontecimentos.
“Não há verdades absolutas. Devemos estar abertos à dúvida, ao questionamento e à honestidade de olhar para dentro de nós próprios”

A obra já havia sido apresentada em Lisboa, onde foi impressa, mas Rafael Branco sublinhou que fazia questão de realizar também o lançamento em São Tomé, país que ocupa o centro das suas reflexões políticas e sociais.
Livro desperta debate sobre crise nacional e patriotismo
A apresentação do livro acabou por transformar-se também num espaço de reflexão sobre a atual situação do país. O comentarista Luís Eita considerou que a obra pode ajudar os santomenses a repensarem o rumo nacional, defendendo maior união diante das dificuldades económicas e sociais.
“Estamos novamente a descer ao fosso. O país enfrenta muitas lacunas e problemas que só poderão ser enfrentados com união”
Luís Eita destacou ainda os relatos de Rafael Branco enquanto governante, sobretudo os momentos de crise financeira do Estado, quando cidadãos procuravam ajuda médica num contexto de ausência de recursos públicos.

Já o médico e antigo colega de geração, doutor Carlos, valorizou o livro como um testemunho importante de uma geração que participou na construção do Estado santomense após a independência.
“O Rafael escreveu fragmentos da sua vida que se entrelaçam com fragmentos de outras vidas. Tivemos dificuldades, sobrevivemos e ajudámos a construir esta nação”

Na ocasião, deixou ainda um apelo às novas gerações para o reforço do patriotismo e do compromisso com o futuro do país.
“Devemos transmitir aos jovens o sentimento de que São Tomé e Príncipe continuará a existir e que todos temos a responsabilidade de trabalhar para melhorar o nosso país”
POR: Varela Tavares
IMAGEM: GLEBA TV