O Ministério da Saúde, em parceria com o Ministério da Educação e com o apoio da Associação de Cardiologia de Coimbra, lançou uma campanha de rastreio e prevenção da cardiopatia reumática em crianças. A ação piloto arranca na Escola do Praia Gamboa , que tem cerca de 1.200 alunos, com planos de alargar posteriormente a outras escolas do país. A principal mensagem é clara e urgente: a angina (amigdalite) não se trata em casa com métodos tradicionais.
“Quando tiver angina não se mete dentro da
garganta. Vai para o posto não
se mete o dedo dentro da garganta isso poder provocar outra doença depois.”

Os
especialistas explicam que a infeção na garganta, causada por bactérias
(estreptococo), se não for tratada corretamente com antibióticos, pode
espalhar-se pela corrente sanguínea e atingir o coração.
“Essas
bactérias vêm alojar-se aqui nas válvulas e as válvulas ficam com problemas e aí é que começa o problema
do coração.” Especialista
Além do
coração, a complicação pode afetar as articulações, causando dores, e até o
cérebro, levando a movimentos involuntários conhecidos como **coreia**.
“Pode
viajar também ao cérebro e então existe uma coisa que se chama coreia.”

O
problema agrava-se por causa de uma prática cultural enraizada em muitas
famílias: introduzir o dedo, com azeite, ou até com colher de madeira, na
garganta da criança para aliviar a dor ou “rebentar abcesso”. Embora possa dar
alívio temporário, não elimina a bactéria, que continua a circular e a causar
danos graves.
“Tradicionalmente,
em muitas famílias ainda, os pais, as avós, tratam as crianças introduzindo o
dedo, fazendo massagem e introduzindo os dedos na garganta das crianças [...]
Mas não, é uma infeção, trata com antibióticos.” Celso Matos Ministro da Saúde “É
extremamente importante passar essa mensagem [...] devem evitar de introduzir o
dedo na garganta das crianças, porque é o ponto de partida para todas as
complicações que venham.”

A
campanha inclui rastreio com ecografia (ecocardiograma) do coração das crianças
nas escolas selecionadas para detectar precocemente lesões nas válvulas. Se
identificada a doença, o tratamento inicia-se imediatamente, evitando casos
graves que exijam cirurgia e evacuação para o exterior, muitas vezes para
Portugal – onde há listas de espera e as crianças chegam em estado avançado.
“Se
não for detectado e tratado a tempo, vai criar uma situação no coração que a
criança vai ter que operar o coração [...] Muitos casos a serem enviados para
Portugal e muitas vezes até chegam tarde.”
A
sensibilização vai além das crianças: os alunos são incentivados a transmitir a
mensagem em casa aos pais, avós e tias. Os professores vão incluir o tema nos
matutinos, vespertinos e nas reuniões de conselho de turma com os encarregados
de educação.
“Eu
quero que vocês hoje quando chegarem a casa [...] digam: Hoje na escola
disseram que quando tiver angina não se mete dentro da garganta.”

As
autoridades reconhecem a dificuldade de mudar práticas culturais antigas, mas
acreditam que, com persistência, é possível alcançar 80 a 90% da população e
acabar com essa prática perigosa.
“Sabemos
que mudar essa mentalidade é uma coisa difícil. Mas batendo sistematicamente
[...] acho que nós poderemos atingir ao menos 80% ou 90% de pessoas que vão
mudar de mentalidade e mudar dessa prática.”
O apelo
final é para que os pais levem sempre as crianças com dor de garganta aos
postos de saúde próximos – disponíveis em todo o país – para avaliação e
tratamento adequado. A prevenção hoje pode evitar cirurgias cardíacas amanhã.
