A Universidade de São Tomé e Príncipe vive uma nova fase de crescimento e quer posicionar-se como um centro de produção científica e académica no país.

Durante as celebrações do 12.º aniversário da instituição, o Diretor do Ensino Superior revelou que o Orçamento Geral do Estado para 2026 já contempla uma verba destinada ao financiamento de atividades científicas nas universidades nacionais.
Segundo o responsável, trata-se de um primeiro passo para incentivar a investigação e inovação académica.
“O atual governo incluiu uma verba de 2 milhões de dobras para o financiamento das atividades científicas”, afirmou.
O financiamento deverá beneficiar projetos apresentados pelas universidades nacionais, incluindo a Universidade de São Tomé e Príncipe, Universidade de IUCAI e Universidade Lusíada.
Os projetos terão de ser submetidos à Direção do Ensino Superior para análise e posterior aprovação do financiamento.
Apesar do valor ser considerado reduzido, o diretor entende que o mais importante é o início de uma política pública de apoio à ciência.
“Estamos a falar apenas de 2 milhões como um pontapé de saída”, destacou.
A ambição das autoridades passa também pela criação de cursos de doutoramento em São Tomé e Príncipe. Contudo, o responsável reconhece que o país ainda enfrenta limitações estruturais e científicas para avançar sozinho nesta direção.
“Ainda não estamos em condições de sozinhos dar início a um curso de doutoramento”, admitiu.
Ainda assim, considera possível implementar programas doutorais através de parcerias internacionais.
“Caso uma das universidades nacionais consiga parcerias com outras internacionais, é possível fazer este curso de doutoramento.”
Outro dos desafios apontados prende-se com a necessidade de reforçar o número de docentes efetivos nas universidades.
O Reitor da Universidade explicou que a realidade santomense obriga as instituições a recorrerem frequentemente a profissionais externos.
“As universidades não se fazem somente com quadros da universidade”, explicou.
O responsável exemplificou com o caso dos professores de Direito Penal, que muitas vezes acumulam funções nos tribunais e no ensino superior.
“Um médico dificilmente vai deixar o hospital para trabalhar o tempo inteiro na universidade”, acrescentou.

Mesmo perante os constrangimentos, os dirigentes universitários acreditam que o ensino superior santomense continua num caminho de crescimento gradual e sustentável.