O Universidade de São Tomé e Príncipe enfrenta uma crise institucional marcada por tensão entre a reitoria e os professores. O conflito já se arrasta há meses, com falta de comunicação e ressentimentos profundos entre as partes, no ultimo sábado o PM Américo Ramos esteve reunido na USTP para analisar a situação.
“constatei que há um conflito profundo
entre a reitoria e a comissão dos professores. Há muita falta de comunicação e
ressentimento. O governo, como órgão de tutela institucional da Universidade,
precisa debruçar-se sobre a situação o mais urgente possível.
Américo Ramos | Primeiro Ministro e Chefe do Governo

O PM afirmou que a comissão criada para tentar resolver os conflitos inclui membros da reitoria e do ministério, mas reconheceu que ainda não houve entendimento. Ele reforçou que as reivindicações dos professores são legítimas e dependem do governo para implementação.
“Prometi aos professores e à reitoria
que, na próxima semana, vamos analisar as reivindicações e tomar decisões
fundamentadas. Uma universidade deve ter um quadro remuneratório próprio,
estruturado, que garanta dignidade aos professores. Os outros pontos do caderno
reivindicativo serão discutidos, e acreditamos que chegaremos a um bom
entendimento.” Américo Ramos | Primeiro
Ministro e Chefe do Governo

Do lado da
comissão de trabalhadores e professores, representado por Homílido Forte,
a situação é descrita como insustentável, com a reitora acusada de ignorar
documentos oficiais e impedir o avanço administrativo da instituição.
“Sou membro da comissão dos
trabalhadores da Universidade de São Tomé e Príncipe. Temos um pré-aviso de
greve em curso. A maioria dos pontos das nossas reivindicações é pacífica, mas
o primeiro e último são inegociáveis. O primeiro ponto é a demissão da reitora,
por um conjunto de fatos que começou há um ano, documentados em abaixo-assinado
enviado ao governo e à tutela.”
Homílido Fortes / Representante do Trabalhadores docentes e não docentes da USTP
Ele detalhou
que, apesar da criação de uma comissão multidisciplinar para mediar as
questões, a reitora não encaminhou os documentos e memorandos de entendimento
para a comissão de professores, agravando o conflito.
“Chegamos a um ponto de saturação. A
reitora ignorou os documentos que deveriam ser tratados, forçando o ministério
a criar uma comissão para analisar a situação. A reitora arquivou os memorandos
sem enviar à comissão, prejudicando a universidade e os estudantes.” Homílido Fortes / Representante
do Trabalhadores docentes e não docentes da USTP

O representante reforçou que a exigência de demissão não é uma questão pessoal, mas de interesse institucional:
“Não se trata apenas da nossa vontade; o que está em causa é a universidade, os alunos, os professores e o pessoal não docente. Queremos que a universidade avance. A reitora e sua equipa têm sido um entrave constante ao desenvolvimento da instituição.” Homílido Fortes / Representante do Trabalhadores docentes e não docentes da USTP
Sobre os
procedimentos legais, ele explicou que o estatuto da universidade dá poderes ao
governo caso o Conselho da Universidade, órgão competente para demissão da
reitora, não aja:
“Convocamos uma Assembleia dos
trabalhadores, elegemos uma comissão reivindicativa e acionamos o Ministério do
Trabalho como mediador. Já avançamos com o pré-aviso de greve, que será efetiva
a partir de 6 de abril, caso não haja demissão. Este é o primeiro ponto da
nossa pauta, pois é o crivo de toda a situação. Queremos avançar considerando o
interesse público e o bem da universidade.”
Homílido Fortes / Representante do Trabalhadores docentes e não docentes da USTP

A tensão na Universidade de São Tomé e Príncipe revela não apenas divergências internas, mas também a importância de uma gestão inclusiva e transparente, que garanta a continuidade acadêmica e a formação de profissionais qualificados, fundamentais para o desenvolvimento do país.
Por: Varela Tavares
Imagem: TSICLAY ABRIL
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