O Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) reconhece atrasos na execução de importantes projetos em São Tomé e Príncipe, mas garante que o financiamento continua assegurado e que esforços estão em curso para acelerar as obras. A informação foi avançada por Pietro Toigo, representante residente do BAD em Angola, com responsabilidade para São Tomé e Príncipe, após um encontro com o Ministro da Agricultura. A reunião teve como principal objetivo fazer um ponto de situação sobre o andamento dos projetos financiados pela instituição no país.
“O encontro foi para tomar conta da implementação dos nossos projetos e levantar alguns atrasos, alguns momentos de implementação mais lenta em infraestruturas-chave”, afirmou Pietro Toigo.

Entre os projetos analisados, destaque para a estrada que deverá ligar Água Izé à comunidade de Claudino Faro, uma obra considerada estratégica para a mobilidade e o desenvolvimento local, mas que tem gerado inquietação entre os moradores.
“Sabemos que é um assunto que criou algum nervosismo na comunidade, porque querem uma ligação eficaz. Estamos a analisar e resolver questões técnicas para assegurar a boa qualidade da infraestrutura”, explicou.
Apesar dos atrasos, o responsável garantiu que o financiamento está assegurado e que o processo deverá avançar em breve.
“O financiamento continua e, sem dúvida, vai financiar a estrada de Água Izé a Claudino Faro. Em breve teremos a possibilidade de lançar o concurso”, assegurou.
Outro ponto abordado foi a construção de casas sociais na zona de Boa Esperança, também marcada por atrasos. Segundo o BAD, os entraves estão ligados a processos técnicos necessários para garantir qualidade e reduzir impactos ambientais.
“O financiamento está lá e a nossa equipa estará a trabalhar para acelerar a implementação”, disse.
Questionado sobre prazos concretos para o início das obras, Pietro Toigo evitou avançar datas específicas.
“É melhor não falar de cronogramas neste momento, para não criar expectativas. O importante é que o processo está em andamento e o nosso empenho é total”, sublinhou.

Além das infraestruturas, o encontro abordou ainda estratégias para impulsionar o setor agrícola, com foco no fortalecimento do setor privado e valorização de produtos nacionais.
“Falou-se da importância de fomentar o setor privado nas cadeias de desenvolvimento agrícola, especialmente em setores com valor acrescentado como o cacau, a baunilha e o mel”, destacou.
Segundo o responsável, o desenvolvimento do setor exige uma abordagem integrada, incluindo acesso a financiamento, energia, infraestruturas e apoio técnico aos produtores.
“Será preciso uma parceria forte com o setor privado e o envolvimento de toda a sociedade são-tomense para promover a transição do país da crise à resiliência”, concluiu.
A visita técnica de equipas do banco ao país está prevista para breve, com o objetivo de desbloquear constrangimentos e acelerar a execução dos projetos considerados essenciais para o desenvolvimento económico e social de São Tomé e Príncipe