O Governo de São Tomé e Príncipe reafirmou o fortalecimento do Banco Nacional de Sangue como uma das prioridades do setor da saúde, durante uma reunião de mobilização de parceiros realizada na Casa das Nações Unidas, em colaboração com a Organização Mundial da Saúde (OMS).
Na abertura dos trabalhos, o Ministro da Saúde, Celso Matos, destacou que o Executivo tem vindo a investir na melhoria do serviço desde o início do mandato e anunciou que está em curso a aquisição de um novo equipamento, com apoio do Governo do Japão, destinado a reforçar a segurança transfusional.
Celso Matos / Ministro da Saúde
"O Banco de Sangue tem sido uma das prioridades deste Governo desde que assumimos funções. Está em curso a aquisição de um equipamento que permitirá realizar a despistagem de doenças como o VIH e as hepatites, garantindo maior segurança nas transfusões de sangue."
O governante sublinhou ainda que a melhoria do Banco Nacional de Sangue constitui uma base essencial para o desenvolvimento de outros serviços especializados no sistema de saúde, defendendo uma resposta mais resiliente às necessidades atuais e futuras do país.
Durante o encontro, a responsável adjunta do Banco de Sangue do Hospital Dr. Ayres de Menezes, Zete de Carvalho, apresentou os principais desafios enfrentados pelo serviço. Entre eles, destacou a insuficiência de infraestruturas, a escassez de reagentes, a necessidade de equipamentos modernos, formação contínua dos profissionais e a reduzida adesão à doação voluntária de sangue.
Zete de Carvalho
"Temos ruturas frequentes de sangue porque os doadores benévolos regulares ainda são muito poucos. Dependemos muitas vezes dos doadores familiares e do apoio de igrejas, quando o ideal seria que a população estivesse sensibilizada e procurasse regularmente o Banco de Sangue para doar."
Segundo a responsável, o Hospital realiza, em média, cerca de 100 transfusões por mês, número que supera largamente a quantidade de sangue recolhida nas campanhas de doação, aumentando o risco de escassez para responder às emergências.
Zete de Carvalho alertou ainda que a falta de hemocomponentes, como concentrados de plaquetas, pode comprometer o tratamento de doentes em estado crítico e, em determinadas situações, contribuir para a ocorrência de óbitos, nomeadamente em casos de hemorragias graves, na maternidade e nos cuidados intensivos.
Em representação da Organização Mundial da Saúde, um responsável da instituição reforçou que um Banco Nacional de Sangue moderno é um dos pilares de qualquer sistema de saúde, lembrando que cirurgias, partos de emergência, acidentes e diversas patologias dependem da disponibilidade de sangue seguro e de qualidade.
A OMS reconheceu igualmente o apoio já assumido pelo Banco Mundial na aquisição de equipamentos, reagentes e consumíveis, defendendo que esse investimento deve ser complementado com a requalificação das infraestruturas, aquisição de mobiliário adequado, capacitação dos profissionais e fortalecimento dos mecanismos de qualidade.
A reunião terminou com um apelo à mobilização conjunta do Governo, parceiros internacionais, setor privado e sociedade civil para garantir um Banco Nacional de Sangue mais seguro, sustentável e capaz de responder às necessidades da população de São Tomé e Príncipe.