As Forças Armadas de São Tomé e Príncipe iniciaram, a 1 de setembro, as atividades de comemoração do 6 de setembro com uma palestra dedicada à relação entre civis e militares.
O encontro reuniu intervenientes das áreas política e militar para discutir o papel das Forças Armadas na sociedade e os desafios da relação entre a instituição militar e a população.
O coronel Leopoldo Fernandes, vice-chefe do Estado-Maior, considera que o tema é particularmente importante por envolver duas dimensões que devem coexistir numa sociedade democrática.

Leopoldo Fernamdes / Coronel e Vice-chefe do Estado-Maior
“São dois lados de uma mesma moeda, o lado civil e o lado militar. Esses dois lados têm que conviver.”
A discussão abordou também a forma como a formação militar influencia a vida dos profissionais mesmo depois do regresso ao ambiente familiar e à sociedade civil.
Uma das intervenções chamou a atenção para a necessidade de melhorar a reinserção dos militares depois do serviço, evitando situações de abandono.
Elsa Pinto / Palestrante
“Quando são devolvidas à sociedade, não há aquela reinserção, há um abandono.”
Outro dos pontos levantados foi a necessidade de modernizar as Forças Armadas, incluindo o recurso a competências civis em áreas como tecnologia, gestão, logística e outras especialidades necessárias à preparação da instituição.
O debate destacou ainda os princípios que devem orientar a atuação militar num Estado de direito democrático, nomeadamente a neutralidade das Forças Armadas e a sua subordinação ao poder político e à Constituição.
Elsa Pinto / Palestrante
“Em democracia, em Estado de direito democrático, há o princípio da subordinação e da neutralidade das forças.”
A discussão terminou também com um alerta para a necessidade de adequar a organização militar à realidade atual do país.
Segundo a palestrante, São Tomé e Príncipe deve refletir sobre o tipo de Forças Armadas que pretende ter e sobre os recursos necessários para garantir a sua prontidão e capacidade de resposta.
O debate integra as atividades comemorativas do 6 de setembro e coloca em discussão o futuro da instituição militar e a sua relação com o Estado e a sociedade.