Mulheres jovens e adultas das comunidades de Lobata e Mé-Zochi participam na terceira edição da Academia de Desenvolvimento Feminino, promovida pelo Projeto Sebê Nón
A iniciativa decorre durante três dias e, este ano, aposta num formato de intercâmbio entre participantes dos dois distritos. O objetivo é criar um espaço de partilha de experiências e conhecimentos entre mulheres com diferentes realidades comunitárias.

Segundo a coordenadora do projeto, Sofia Ramos, a experiência tem permitido aproximar comunidades que enfrentam desafios semelhantes, mas que também apresentam diferentes formas de responder aos problemas.
Sofia Ramos :Coordenadora do Projeto Sebê Nón
“É muito benéfico haver esta troca entre pessoas de zonas diferentes, de comunidades diferentes, que podem ter problemas semelhantes ou enfrentar desafios semelhantes, mas também trocar experiências diferentes e ter acesso a realidades diferentes.”

O Projeto Sebê Nón é cofinanciado pela cooperação portuguesa através do Instituto Camões. No primeiro ano, as atividades estiveram concentradas em Lobata. No segundo, em Mé-Zochi. Desde Janeiro deste ano, as acções passaram a ser realizadas em regime de intercâmbio.
A organização considera que os efeitos do trabalho já começam a ser visíveis, sobretudo entre as participantes que acompanham regularmente as atividades. O projeto mantém trabalho no terreno durante 11 meses por ano, com ações dirigidas tanto a raparigas adolescentes como a mulheres adultas. “O empoderamento de uma pessoa, neste caso de mulheres, é um processo longo, difícil e contínuo, mas já há alguns resultados que são visíveis.” Um dos desafios identificados está relacionado com a falta de autoconfiança. A equipa procura responder a esta realidade através de um trabalho contínuo de formação e acompanhamento.
A mensagem transmitida às participantes é que, quando não sabem ou pensam que não conseguem, devem experimentar e aprender. “Podem dizer ‘eu não sei’. E, não sabendo, vamos tentar, vamos aprender, vamos experimentar.” Outro dos problemas apontados está no acesso à justiça. Segundo Sofia Ramos, algumas mulheres conhecem as instituições existentes, mas têm dificuldades em compreender onde devem iniciar um processo, que documentos precisam de apresentar e quais são os seus direitos e deveres.
A falta de recursos financeiros, o apoio insuficiente de algumas comunidades e o desconhecimento sobre a existência de advogados oficiosos são também apontados como obstáculos.
“Há alguma falta de conhecimento de como é que a justiça funciona em termos de processo: onde é que eu vou primeiro, o que é que eu apresento e que direitos e deveres tenho.”
A terceira edição da Academia de Desenvolvimento Feminino procura, assim, reforçar conhecimentos, confiança e capacidade de intervenção das mulheres de Lobata e Mé-Zochi, através de um processo contínuo de aprendizagem e intercâmbio entre comunidades.