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Preço do cimento continua instável e preocupa empresários e consumidores em São Tomé e Príncipe

 

A instabilidade no preço do cimento no país está a afetar diretamente pequenos empresários e cidadãos que pretendem construir ou concluir as suas obras. O empresário António Quaresma denuncia práticas especulativas no mercado, apontando que a falta de controlo tem prejudicado quem trabalha de forma formal:


“O preço do mercado é um preço especulado. Há uma aderência de compra de cimento, mesmo pessoas que não têm empresa também têm essa capacidade de comprar com influência de capital… e nós que somos pequenos empresários estamos sempre lesados.”


Segundo o entrevistado, a ausência de fiscalização facilita a entrada de vários intervenientes informais no negócio, incluindo figuras influentes:


“Mesmo pessoas que são políticos de grande influência, altos funcionários também entram. E com isso, nós que pagamos imposto estamos sempre lesados.”


António Quaresma defende uma intervenção mais firme do Estado, com controlo na importação e comercialização do produto:


“O Estado poderia ter fiscalização dos contentores e saber quem é comprador e quem tem empresa. Quando não for assim, haverá especulação e anarquia.”


Atualmente, os preços variam significativamente no mercado:


 “O cimento tá a vender entre trezentos e cinquenta e quatrocentos. Houve momentos que chegou a quatrocentos e quarenta.”


Já o vendedor Luís Lopes confirma uma ligeira descida recente, mas considera insuficiente para aliviar o custo de vida:


“Tava a vender por quatrocentos e trinta, agora desceu até trezentos e vinte dobra cada saco.” 

“Poderia baixar mais… porque nem toda gente tem esse dinheiro.” A procura continua, embora com algumas limitações: > “As pessoas vêm perguntar o preço… quem não tem dinheiro tenta saber se tá mais baixo ou mais alto.”


No setor da construção, o impacto é visível. Muitos projetos estão parados à espera de melhores პირობos. O produtor de blocos Ricardo Fonseca, proprietário da fábrica Relâmpago, explica:


> “Isso não me prejudica tanto, prejudica os compradores. Quem está a tentar fazer obra é que sai lesado.” Populares também manifestam insatisfação com a variação constante: > “Desceu um pouco, mas não desceu a onde estava… agora tá a quatrocentas dobras.”


A subida e descida irregular dos preços levanta preocupações sobre o impacto na economia e no custo de vida, sobretudo num contexto em que a procura por materiais de construção tem aumentado, impulsionada pelo crescimento urbano e investimento habitacional. Especialistas e operadores do setor defendem que uma regulação mais eficaz poderá trazer maior estabilidade ao mercado e beneficiar tanto empresários como consumidores. Enquanto o mercado continua sem um preço fixo para o cimento, cresce a pressão sobre o Estado para implementar medidas que travem a especulação e garantam maior equilíbrio no setor da construção em São Tomé e Príncipe.