O Primeiro-Ministro realizou, ontem, uma visita a várias instituições de ensino superior no país, com o objetivo de avaliar de perto os principais desafios enfrentados pelo setor. A iniciativa integra a agenda governamental de acompanhamento das instituições públicas e autónomas.

A deslocação começou na unidade de São Machado, onde o chefe do Governo manteve um encontro com a direção e tomou conhecimento dos problemas considerados mais críticos.

Entre as principais preocupações apontadas estão a falta de professores, dificuldades no recrutamento e a necessidade urgente de criação de laboratórios.
“É preciso olhar para o problema no seu todo, compreender as preocupações dos professores e encontrar soluções estruturais”, afirmou o governante, sublinhando que já está agendada uma reunião mais alargada para aprofundar o diálogo.

Reivindicações dos professores em análise
Segundo o Primeiro-Ministro, existe um caderno reivindicativo apresentado pelos docentes, que deverá ser analisado em detalhe nos próximos dias. A negociação envolverá diretamente o Ministério das Finanças, na componente financeira, e o Ministério da Educação, responsável pelas questões técnicas e pedagógicas.
Durante a visita ao Instituto Superior de Ciências e Educação (ISEC), o governante considerou que a situação está relativamente estabilizada, embora tenha reconhecido a necessidade de reforçar a comunicação institucional, de forma a manter o Executivo informado sobre o funcionamento da instituição.
A jornada terminou com uma visita à universidade, incluindo laboratórios e um encontro com professores, onde foram reiteradas preocupações com as condições de trabalho e ensino.
Governo promete continuidade até ao fim da legislatura
Questionado sobre a proximidade das eleições, o Primeiro-Ministro garantiu que o Executivo continuará a trabalhar normalmente.
“Qualquer governo não pode parar por causa das eleições. Temos um programa a cumprir até ao fim da legislatura” Américo Ramos / Primeiro-Ministro Chefe do Governo STP

Polémica sobre geradores da EMAE sem resposta direta
No final da visita, o chefe do Governo foi questionado sobre declarações do ex-diretor da Empresa de Água e Eletricidade (EMAE), que alegou que os geradores recentemente chegados ao país não seriam novos.
O Primeiro-Ministro evitou comentar diretamente as acusações, destacando que se tratam de declarações de um antigo responsável.
“Se houver dúvidas, as instituições competentes devem ser acionadas”, disse, referindo o Ministério Público, o Tribunal de Contas e a Polícia Judiciária como entidades responsáveis por eventuais investigações.

A visita ocorre num momento em que o setor da educação em São Tomé e Príncipe enfrenta desafios estruturais, incluindo limitações financeiras, carência de recursos humanos e infraestruturas degradadas. A abertura do Governo para o diálogo com os professores poderá ser determinante para evitar tensões e melhorar a qualidade do ensino superior no país.

A expectativa agora recai sobre os próximos encontros anunciados, que deverão definir medidas concretas para responder às reivindicações dos docentes e às fragilidades identificadas nas instituições.
POR: Varela Tavares
Imagem: TVS
Edição: André Trindade
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