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Quadros da administração pública reforçam Competências em matéria de género e cidadania

Técnicos e dirigentes da Administração Pública de São Tomé e Príncipe concluíram uma ação de capacitação sobre Género e Cidadania, promovida no âmbito de um ciclo formativo destinado ao fortalecimento das instituições públicas.


A formação, ministrada por especialistas da Escola Nacional de Administração Pública do Brasil (ENAP), procurou dotar os participantes de ferramentas capazes de integrar a perspetiva de género na formulação e implementação de políticas públicas.


Entre os participantes esteve Suziny de Souza, funcionária do Tribunal de Contas, que destacou a importância da iniciativa para o fortalecimento das competências dos servidores públicos.


"Foi uma formação de três dias de grande importância para nós. Estamos numa era em que precisamos ter mais cuidados com as questões de género e capacitar mulheres para cargos de liderança", afirmou.


Segundo a participante, a ação permitiu adquirir novos conhecimentos sobre igualdade e equidade de género, que poderão ser aplicados no ambiente institucional.


"Saio daqui com algumas ferramentas e noções sobre género que vou levar para a minha instituição, de forma a contribuir para que estas políticas sejam valorizadas e implementadas", acrescentou.


A formadora brasileira Iara Alves considerou a experiência positiva e destacou o compromisso demonstrado pelos quadros santomenses durante as sessões.


"Foi um grande prazer estar aqui como formadora. São Tomé e Príncipe enfrenta desafios muito semelhantes aos do Brasil, especialmente no que diz respeito às desigualdades enfrentadas pelas mulheres", referiu.


Para a especialista, incorporar a perspetiva de género nas políticas públicas significa criar respostas mais eficazes para os desafios enfrentados pela população.


"Precisamos pensar se as mulheres estão a ser ouvidas quando as políticas públicas são formuladas. Quando analisamos questões como acesso à água, saneamento ou saúde, percebemos que homens e mulheres podem ser impactados de formas diferentes", explicou.


Iara Alves acredita que os conhecimentos transmitidos durante a formação permitirão aos participantes introduzir mudanças concretas nas suas instituições.


"Trouxemos ferramentas para que os técnicos possam analisar melhor como as decisões são tomadas e como as políticas públicas podem beneficiar mais rapidamente a vida das mulheres", sublinhou.


A coordenadora do Instituto Nacional de Formação da Justiça e da Administração Pública, Clédia Viegas Paquete, fez um balanço positivo do ciclo de capacitações realizado desde o início de junho.


Segundo a responsável, as ações formativas abrangeram áreas como gestão de dados, ética na administração pública, gestão de conflitos, liderança feminina e género e cidadania.


"Houve uma participação ativa dos técnicos da Administração Pública. Cada participante trouxe a sua experiência e conhecimento, contribuindo para fortalecer as instituições do Estado", destacou.


Sobre a formação em Género e Cidadania, Clédia Paquete explicou que o objetivo principal foi desenvolver capacidades para integrar a perspetiva de género na elaboração de políticas públicas e no combate às desigualdades.


 "Falámos sobre desigualdade social, liderança feminina, economia dos cuidados e os desafios enfrentados pelas mulheres no acesso a oportunidades e cargos de decisão", afirmou.


A coordenadora reconheceu que a questão do género continua a ser um tema sensível em São Tomé e Príncipe, sobretudo no que diz respeito à representação feminina nos cargos de liderança.


"Ainda existe uma desigualdade significativa. Muitas mulheres continuam sub-representação nos espaços de decisão e enfrentam uma sobrecarga de responsabilidades que limita a sua participação em cargos de chefia", observou.


A formação terminou com o compromisso dos participantes de aplicar os conhecimentos adquiridos nas respetivas instituições, contribuindo para uma Administração Pública mais inclusiva, participativa e sensível às questões da igualdade de género.