Américo Ramos foi eleito presidente da Ação Democrática Independente durante um congresso extraordinário organizado por um grupo de militantes e conselheiros nacionais do partido. A eleição acontece num contexto de disputa interna sobre a realização do congresso eletivo e a legitimidade dos órgãos dirigentes.
AMÉRICO RAMOS
> "Nós acabamos agora de fazer um exercício legal, emanado do acórdão do Tribunal Constitucional. A direção cessante fez um Conselho Nacional a 16 de novembro, em que foi marcado um congresso eletivo para 4 de abril. Infelizmente, sem alguma justificação, esse congresso não se realizou."
Segundo Américo Ramos, após a não realização do congresso inicialmente marcado, um grupo de militantes recorreu ao Tribunal Constitucional para exigir o cumprimento da deliberação. O novo Conselho Nacional convocado pela direção cessante é contestado pelo dirigente eleito.
AMÉRICO RAMOS
> "Recentemente realizou-se mais um Conselho Nacional no sentido de adiar a realização do congresso para finais de julho. Esse Conselho Nacional foi um conselho não transparente e, tendo havido já uma decisão do Tribunal Constitucional, era necessário fazer esse congresso dentro do prazo estipulado. Não tendo sido feito, decidimos reunir-nos aqui para realizar esse congresso."
Candidato único ao cargo de presidente, Américo Ramos afirma que a nova direção integra representantes de São Tomé e da Região Autónoma do Príncipe e garante que toda a documentação será remetida ao Tribunal Constitucional para validação.
AMÉRICO RAMOS
> "Nós vamos fazer as coisas de acordo com a lei e com o estatuto. Vamos enviar os documentos todos ao Tribunal Constitucional e achamos que há todas as condições criadas para que Américo Ramos e a sua equipa sejam legitimamente a nova direção do ADI."
No discurso de tomada de posse, o novo presidente defendeu uma profunda renovação interna do partido, criticando práticas que, segundo afirmou, limitaram a participação dos militantes.
AMÉRICO RAMOS
> "Queremos abrir a porta do ADI. Queremos tornar o ADI transparente. Queremos incluir todos os militantes. O ADI não pode continuar a servir os santomenses de hoje com práticas e metodologias do passado."
Américo Ramos considerou que o fortalecimento da democracia interna é essencial para que o partido continue a desempenhar um papel de relevo na política nacional.
*AMÉRICO RAMOS*
> "Um ADI mais democrático e mais aberto é hoje um imperativo para a sua própria sobrevivência. O ADI precisa de pluralismo para continuar a colocar os interesses de São Tomé e Príncipe em primeiro lugar."
Na intervenção, o novo líder apresentou ainda as linhas gerais da sua visão para o país, defendendo investimentos em infraestruturas, transição energética, educação, digitalização dos serviços públicos e desenvolvimento económico sustentável.
AMÉRICO RAMOS
> "A infraestruturação é o nosso apanágio. A transição energética é irreversível. No domínio da educação, o caminho passa pelo aumento da rede de estabelecimentos escolares e pelo aprofundamento da reforma curricular. A digitalização dos serviços públicos deve ser a nova maneira de ser e de estar nas instituições do Estado."
Américo Ramos exercerá um mandato de três anos, conforme os estatutos do partido. A legitimidade da nova direção dependerá agora da apreciação dos documentos pelo Tribunal Constitucional, num processo que decorre paralelamente às divergências internas sobre a liderança da Ação Democrática Independente.