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 A figura de Alda do Espírito Santo voltou a ocupar o centro do debate académico e cultural com a abertura da Conferência Internacional que assinala o centenário do seu nascimento. O evento reúne investigadores, escritores e especialistas de vários países para analisar o impacto da sua obra na literatura, na educação, na luta anticolonial e na construção da identidade nacional de São Tomé e Príncipe, o evento que foi presidido pelo PM Américo Ramos 


Na sessão de abertura, foi destacado que celebrar Alda do Espírito Santo representa mais do que recordar uma personalidade histórica. Trata-se de reafirmar os valores da dignidade humana, da justiça social, da educação e da cultura como pilares do desenvolvimento nacional.


O O PM sublinhou que a realização da conferência resulta de uma recomendação saída da Primeira Conferência Nacional sobre Alda do Espírito Santo, realizada em 2025, e pretende consolidar o reconhecimento da poetisa como uma das maiores referências da história cultural e política do país.


"Celebrar o centenário de Alda do Espírito Santo é reconhecer uma vida dedicada à palavra, à pátria e à resistência. Que esta celebração seja um impulso para educar melhor, valorizar a cultura e construir o futuro que Alda ajudou a sonhar."  Primeiro Ministro / Américo Ramos



A curadora da conferência, Inocência Mata, defendeu que a preservação do legado de Alda do Espírito Santo exige ações concretas e não apenas homenagens simbólicas.


Segundo a académica, é fundamental que as novas gerações conheçam Alda não apenas pelos livros escolares, mas como uma mulher de pensamento, coragem e ação.


"Nenhum património cultural permanece vivo apenas porque é lembrado em datas comemorativas. Permanece vivo quando é estudado, ensinado, publicado, debatido e apropriado pelas novas gerações." Dra. Inocência Mata (Curadora da Conferência Internacional)



Inocência Mata apelou ainda à criação da Fundação Alda do Espírito Santo, considerando que a instituição poderá assegurar a investigação, conservação documental e divulgação permanente da obra da escritora.


A professora e investigadora Ana Mafalda Leite destacou a dimensão africana da obra de Alda do Espírito Santo e a importância da sua poesia na luta pela liberdade dos povos africanos. Segundo a investigadora, a escritora são-tomense utilizou a poesia como instrumento de resistência política e afirmação da identidade nacional.


 "Alda Espírito Santo escolheu a poesia como forma de afirmar o seu lugar na história, criando uma linguagem de resistência e de reapropriação da terra e da liberdade."  Ana Mafalda Leite Professora




Ana Mafalda Leite sublinhou ainda que a obra de Alda é hoje amplamente estudada em universidades estrangeiras e integra o património literário africano de língua portuguesa.


A conferência prossegue com painéis científicos dedicados à literatura, história, cultura, nacionalismo africano e ao papel das mulheres na construção das independências dos países africanos de língua portuguesa, reforçando o compromisso de preservar e divulgar o legado de uma das figuras mais marcantes da história de São Tomé e Príncipe.