O Governo quer replicar na área da água os resultados alcançados na estabilização do fornecimento de energia elétrica. A garantia foi dada durante uma visita às infraestruturas da EMAE, onde estão em curso intervenções nos setores da água e energia.
Em Agostinho Neto, está prevista a instalação de um sistema modular de captação e distribuição de água tratada.
“Vamos conseguir captar cerca de cem metros cúbicos de água por hora, que vamos injetar na rede e que irá cobrir toda a cidade de Guadalupe, o Moru Peixe e os arredores.” Nelson Cardoso |Ministro da Infraestrutura e Recursos Naturais

A intervenção faz parte de um programa inicial que contempla oito sistemas, financiados através de recursos provenientes dos contratos de partilha de produção com empresas petrolíferas.
O plano deverá também chegar a outras zonas do país, incluindo Boa Morte, Campo de Milho, Três Paus, Praia Cruz, Luxinga e Praia Gamboa.
Para a capital, está previsto um projeto de maior dimensão, que prevê o aproveitamento das águas dos rios do Ouro e Manoel Jorge e a requalificação da rede de distribuição.
“É um projeto de sessenta tal milhões de euros, mas será executado por fases. Numa primeira fase, são doze milhões de euros.”
O projeto será financiado pelo Banco Europeu de Investimento. Segundo o responsável, o concurso está em curso e as obras poderão começar ainda durante a atual legislatura.
Entretanto, a EMAE trabalha também para reforçar a capacidade de produção elétrica. Atualmente, a produção aproxima-se dos 17 megawatts e, segundo o Governo, a procura nacional está a ser assegurada.
“Estamos a quase roçar os dezassete megas e estamos a cobrir toda a demanda a nível do país.”
O responsável sublinha, no entanto, que a melhoria do setor energético não depende apenas da produção, mas também das redes de transporte e distribuição. A instalação de contadores inteligentes é outra das medidas em curso.

Na transição para energias renováveis, o Governo prevê a implementação do parque solar de Água Casada. O projeto deverá produzir 11 megawatts e contar com sete megawatts de armazenamento em baterias.
“Num período de três meses estará concluído, incluindo a colocação dos painéis, a conexão à rede e toda a linha de transporte até Santo Amaro.”
Na área hídrica, o Governo reconhece atrasos na construção dos reservatórios do Conde e de Guadalupe. O reservatório do Conde deverá beneficiar as populações de Conde, Nicoló e Fernão Dias.
“Ainda acreditamos que, num período máximo de um mês, este reservatório deve ficar pronto.”
Já o reservatório de Guadalupe encontra-se mais atrasado, segundo o responsável, que defende maior fiscalização e pressão sobre o empreiteiro.
O Governo pretende ainda mobilizar parceiros para a recuperação das seis centrais mini-hídricas existentes no país, incluindo Agostinho Neto, Gué-gué e Diogo Vaz.

A estratégia passa, assim, por reforçar o abastecimento de água, consolidar a estabilidade energética e acelerar a transição para fontes renováveis, numa tentativa de responder a dois dos principais desafios de infraestrutura enfrentados pela população são-tomense.