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Plataforma Kike Boiaru procura reforçar apoio aos pescadores e palaiês

A plataforma Kiki Boiaro está a percorrer comunidades piscatórias de São Tomé e Príncipe para apresentar a sua estrutura e os objetivos de apoio ao setor das pescas.

 

A iniciativa reúne representantes da sociedade civil, do setor público e diferentes intervenientes da cadeia de pesca, incluindo pescadores, palaiês, comerciantes, profissionais da conservação, construção de embarcações e cadeia de frio.

 

Elísio Santos, vice-presidente da plataforma Kiki Boiaro, explica “A plataforma tem como objetivo apoiar e ajudar os pescadores e as palaiês, de forma a fazerem uma pesca sustentável.”


 

Segundo o responsável, um dos principais desafios enfrentados atualmente pelos pescadores é a redução da disponibilidade de peixe junto à costa, obrigando as embarcações a deslocarem-se para zonas cada vez mais distantes.

 

A plataforma pretende contribuir para a formação, organização das comunidades e mobilização de apoios financeiros, em articulação com o Estado e parceiros internacionais.

 

A apresentação realizada em Praia Melão faz parte de uma série de encontros que já passaram por outras comunidades e instituições do país. Depois de São Tomé, estão previstas deslocações a Porto Alegre e à Região Autónoma do Príncipe.

 

A plataforma foi criada entre abril e maio deste ano, depois de um processo que, segundo os responsáveis, levou cerca de quatro anos a ser concretizado.

 

A designação Kiki Boiaro está relacionada com espécies de superfície e a plataforma acompanha oito espécies de pescado, entre elas vaduro, mascumbo, cavala, carapau, fulufulu e atum.

 

Elísio Santos acrescenta que a atuação futura dependerá da articulação com o Estado: 

“Vamos realizar as atividades consoante o apoio do Estado. Também o Estado tem algumas atividades a realizar e pode contactar-nos para colaborar.”


 

A criação da plataforma contou com o envolvimento da FX4ACP, financiamento da FAO e participação do Governo são-tomense. A estrutura está reconhecida no Guiché Único e prepara agora a implementação das atividades previstas no seu plano de ação.

 

Durante o encontro em Praia Melão, representantes da comunidade também manifestaram preocupação com a falta de apoio aos pescadores locais.

 

Cintina Lena Matos, pescadora da comunidade, reclamou das dificuldades enfrentadas pelos profissionais da zona: “Nós, de Praia Melão, não temos apoio. Se pedirmos, não temos uma faca, não temos nada. Ninguém apoia nós.” 


As queixas apontam para a necessidade de maior apoio às comunidades piscatórias, sobretudo em equipamentos, organização e condições para o exercício da atividade. 


A plataforma Kiki Boiaro diz querer responder a parte desses desafios, promovendo uma maior articulação entre pescadores, comunidades, Estado e parceiros de desenvolvimento, com o objetivo de contribuir para uma pesca mais sustentável e para a melhoria das condições de vida no setor.