O desafio foi lançado durante a abertura oficial da 61.ª edição da Feira Internacional de Maputo (FACIM), principal plataforma empresarial do País, que este ano reúne cerca de 3.150 expositores, entre nacionais e estrangeiros, num certame que decorre até 6 de Setembro.
Na sua intervenção, o Chefe do Estado colocou os recursos naturais, particularmente o gás natural, no centro da estratégia de transformação económica, mas advertiu que a exploração destes recursos não deve conduzir a uma economia excessivamente dependente da exportação de matérias-primas.

GÁS DEVE SERVIR PARA INDUSTRIALIZAR O PAÍS
Daniel Chapo revelou que Moçambique poderá receber entre 50 e 60 mil milhões de dólares em investimentos no sector do gás natural nos próximos cinco a dez anos, impulsionados pelos grandes projectos previstos para a Bacia do Rovuma.
Para o Presidente, a entrada destes capitais representa uma oportunidade histórica, mas o verdadeiro impacto dependerá da capacidade do País de transformar o investimento em desenvolvimento económico interno.
A orientação defendida pelo Chefe do Estado passa por utilizar a disponibilidade de gás e energia para estimular a instalação de indústrias, desenvolver cadeias de valor, aumentar a produção nacional e criar oportunidades para empresas moçambicanas.
A aposta, segundo Chapo, deve ser numa economia que não se limite a retirar recursos do subsolo e exportá-los, mas que seja capaz de transformar, acrescentar valor e gerar riqueza dentro do território nacional.
Esta visão está alinhada com a estratégia que o Presidente tem vindo a defender para o sector energético, segundo a qual os grandes projectos de gás devem contribuir para acelerar a industrialização, desenvolver competências nacionais e ampliar a participação das empresas locais nas cadeias de fornecimento.

EMPRESAS MOÇAMBICANAS DEVEM ESTAR NO CENTRO
Outro ponto de destaque do discurso presidencial foi a necessidade de aumentar a participação do empresariado nacional nos grandes projectos de investimento.
Chapo defendeu o reforço do conteúdo local, considerando que as micro, pequenas e médias empresas devem estar preparadas para fornecer bens e serviços aos grandes empreendimentos, crescer e tornar-se competitivas nos mercados nacional, regional e internacional.
A mensagem representa uma mudança de enfoque: mais do que atrair capital estrangeiro, o desafio passa por garantir que o investimento produza efeitos multiplicadores na economia nacional.
Para o Presidente, os grandes projectos devem criar oportunidades para os empresários moçambicanos, desenvolver mão-de-obra especializada, transferir conhecimento e tecnologia e estabelecer cadeias de fornecimento capazes de beneficiar diferentes sectores da economia.
A defesa de maior participação empresarial nacional surge num momento em que o Governo procura transformar as reformas económicas e a legislação de conteúdo local em resultados concretos para empresas e trabalhadores.
“PRODUZIR MAIS PARA EXPORTAR MAIS”
Na FACIM, Daniel Chapo colocou igualmente a produção nacional como uma das prioridades para reduzir a dependência das importações e aumentar a entrada de divisas no País.
O Presidente defendeu a necessidade de Moçambique produzir mais bens e serviços competitivos, capazes de satisfazer o mercado interno e conquistar consumidores no exterior.
A agricultura, agro-indústria, indústria transformadora, energia, mineração, turismo, logística, economia azul e transformação digital foram apresentados como áreas com potencial para contribuir para a diversificação da economia.
A mensagem é clara: os recursos naturais devem financiar e impulsionar outros sectores, evitando que a economia nacional fique excessivamente exposta às oscilações dos preços internacionais das matérias-primas.
FACIM DEVE PASSAR DA EXPOSIÇÃO A NEGÓCIOS CONCRETOS
Ao abordar o papel da FACIM, o Presidente da República defendeu que o certame deve ser encarado como muito mais do que um espaço de exposição de produtos e serviços.
A feira deve funcionar como uma plataforma para contratos, investimentos, parcerias, transferência de tecnologia, internacionalização de empresas e abertura de novos mercados.
A edição deste ano reúne cerca de 2.500 expositores nacionais e 650 estrangeiros, com uma previsão de aproximadamente 55 mil visitantes. Todos os espaços disponíveis foram ocupados, segundo dados divulgados pela APIEX.
A dimensão internacional do evento reforça a intenção de posicionar Moçambique como destino de investimento e como plataforma de acesso aos mercados da África Austral e do continente africano.
TRANSFORMAÇÃO DIGITAL E ENERGÉTICA
Sob o lema “Transformação Digital e Energética Rumo a uma Economia Sustentável”, a 61.ª FACIM procura colocar em evidência dois dos sectores considerados estratégicos para o futuro da economia moçambicana.
Para o Executivo, a transformação digital poderá contribuir para melhorar a produtividade, reduzir custos, modernizar os serviços e criar novas oportunidades para jovens e empresas.
No domínio energético, a prioridade passa por aumentar a disponibilidade de energia para a indústria e para as famílias, criando condições para que Moçambique aproveite o seu potencial energético como instrumento de desenvolvimento.
O Presidente tem defendido igualmente a necessidade de transformar o País num centro energético e industrial da África Austral, aproveitando a localização geográfica, os recursos naturais, os corredores de desenvolvimento e o potencial energético nacional.
O DESAFIO É TRANSFORMAR INVESTIMENTO EM EMPREGO E RIQUEZA

Mais do que apresentar números de investimento, o discurso de Daniel Chapo na abertura da FACIM procurou colocar no centro da agenda económica a questão dos resultados.
O desafio colocado pelo Presidente é fazer com que os milhares de milhões de dólares previstos para o gás e outros sectores estratégicos se traduzam em empregos, empresas nacionais mais fortes, aumento da produção, industrialização, exportações e melhoria das condições de vida da população.
A FACIM 2026 surge, assim, como uma montra das potencialidades económicas do País, mas também como um espaço para testar a capacidade de Moçambique transformar oportunidades em negócios concretos.
Com empresas nacionais e estrangeiras reunidas em Ricatla até 6 de Setembro, o resultado da feira será medido não apenas pelo número de expositores ou visitantes, mas sobretudo pela capacidade de gerar novos investimentos, contratos comerciais, parcerias e oportunidades para o sector produtivo nacional.
Por Elton Mabjaia