×
Novo movimento político diz ter soluções para a crise que afeta São Tomé e Príncipe há 50 anos e afirma que 2026 pode ser a última oportunidade para mudar o país segundo Fernando Vicente da Cruz

Um novo ator político começa a ganhar visibilidade no panorama nacional. Fernando Vicente da Cruz apresentou publicamente a *União Democrática Africana de São Tomé e Príncipe (UDA-STP)*, uma organização política que se encontra em processo de legalização junto ao Tribunal Constitucional e que já manifesta a intenção de concorrer às eleições gerais de 2026.


Segundo o proponente e líder do movimento, a União Democrática Africana ainda não é formalmente um partido político, mas sim uma organização criada com o objetivo de unir os São-tomeness e responder à crise política, económica e social que, na sua perspectiva, que marca o país há cerca de 50 anos.


Fernando Vicente da Cruz afirma que a organização está na fase de recolha de assinaturas exigidas por lei para a sua legalização, mostrando-se confiante de que o processo será concluído com sucesso. Apesar de ainda não estar oficialmente reconhecida, a UDA-STP garante já dispor de um projeto político estruturado e de um programa que pretende apresentar ao eleitorado.


Críticas à governação e à história política recente


No seu discurso, Fernando Vicente da Cruz fez duras críticas à governação do país desde a independência, defendendo que São Tomé e Príncipe viveu, ao longo das últimas décadas, um “bloqueio económico silencioso” que afetou todos os estratos sociais.



O líder da UDA-STP considera que os sucessivos governos falharam na construção de um modelo de desenvolvimento sustentável, aprofundando a pobreza e incentivando a emigração de quadros nacionais.


O responsável político voltou também a questionar a forma como ocorreu a independência nacional, classificando-a como uma “transferência de poder” que, no seu entender, não trouxe benefícios reais para a maioria da população.


Propostas económicas e sociais


Entre as principais propostas apresentadas pela União Democrática Africana destacam-se medidas de emergência no setor económico, com especial atenção às pequenas e médias empresas, que o líder considera fundamentais para a criação de emprego.


A organização defende a atribuição de períodos de isenção fiscal a empresas nacionais, especialmente nas áreas da educação, formação profissional e saúde, permitindo que estas possam capitalizar, modernizar-se e gerar mais postos de trabalho. Fernando Vicente da Cruz apontou ainda a alfândega como um dos principais entraves à atividade económica, tanto para empresários como para consumidores.


No setor agrícola, a UDA-STP propõe facilitar o acesso ao crédito para agricultores, atualmente limitados a uma agricultura de subsistência. O movimento considera que o desenvolvimento industrial do país deve começar pela revitalização da agricultura, setor que, segundo o seu líder, tem sido negligenciado pelo Estado.


Relativamente à diáspora, a organização defende a redução da carga fiscal sobre os emigrantes, incluindo facilidades na importação de viaturas e bens, como forma de incentivar o investimento e a ligação ao país de origem.


Nova visão sobre impostos e papel do Estado


Fernando Vicente da Cruz defende uma nova filosofia fiscal, sustentando que o Estado só deve cobrar impostos quando presta efetivamente serviços aos cidadãos. O líder da UDA-STP critica situações em que a população suporta custos elevados para ter acesso à água e energia, pagando impostos por serviços que, segundo afirma, não são adequadamente assegurados pelo Estado.


 Autonomia do Príncipe e eleições de 2026


A União Democrática Africana afirma-se como uma organização de âmbito nacional, rejeitando uma atuação regionalista. Ainda assim, o movimento promete lutar por uma autonomia efetiva da Região Autónoma do Príncipe, que considera continuar excessivamente dependente do poder central.


Para Fernando Vicente da Cruz, as eleições gerais de 2026 representam uma oportunidade decisiva para mudar o rumo do país. O líder político apela aos cidadãos para apoiarem o processo de legalização da organização, através da concessão das assinaturas necessárias, defendendo que a UDA-STP pode representar uma alternativa para os santomenses que perderam a confiança nos partidos tradicionais.


A União Democrática Africana de São Tomé e Príncipe promete divulgar, numa fase posterior, o seu programa político completo, assegurando que o objetivo central é “viver para fazer política em favor do povo” e promover uma transformação profunda no modelo de governação do país.



Por: Varela Tavares

GLEBA TV 2026