O encontro reuniu veteranos, alguns dos quais participaram na fundação da Acção Democrática Independente (ADI), numa altura em que a recente direção direção liderada por Américo Ramos procura alargar a base de apoio do partido e aproximar antigos militantes que se afastaram ao longo dos anos, a reunião aconteceu na sede do ADI no salão Patrice Trovoada na sua intervenção, o presidente do ADI afirmou que a nova liderança pretende manter o partido aberto ao diálogo e à participação de todos os que, em algum momento, fizeram parte do projeto político do maior partido de STP desde 2010.
“O ADI está aberto. Há oportunidades para nós resgatarmos todos aqueles que já fizeram parte da família e que desistiram por um motivo ou outro”, afirmou Américo Ramos
Segundo o líder partidário, o encontro permitiu ouvir os testemunhos dos veteranos e revisitar momentos importantes da criação e evolução do ADI. Para Ramos, conhecer o passado é fundamental para definir o futuro da organização.
“Nós não podíamos preparar o futuro sem conhecermos o passado e termos o presente como referência daquilo que queremos”, sublinhou.
O presidente do ADI defendeu que as experiências relatadas pelos fundadores e antigos dirigentes podem ajudar a nova liderança a corrigir erros e a construir um partido mais inclusivo.
Questionado sobre a estratégia para aproximar militantes e dirigentes que se afastaram do partido, num contexto de divergências internas, Américo Ramos apontou o diálogo como principal instrumento.
“Temos convidado as pessoas, temos tentado aproximar, levando a ideia de que São Tomé e Príncipe deve estar em primeiro lugar”, declarou.
Ramos reconheceu que o processo de aproximação não se refletiu necessariamente na composição das listas de candidatos apresentadas para as próximas eleições, devido à proximidade dos prazos eleitorais. Ainda assim, defendeu que a participação política vai além da presença em listas de deputados ou cargos dirigentes.
“A participação política não se faz só por pertencer a uma ou outra lista. É o envolvimento, a participação ativa, a militância e o engajamento” Nova direcção convida os fundadores para regressarem ao partido, Américo Ramos diz que continua a dialogar com os membros revoltosos dos últimos tempos, para garantir a unidade plena do ADI.
Américo Ramos recordou ainda a experiência de 2021, quando, segundo disse, o diálogo contribuiu para ultrapassar divisões internas e fortalecer o partido antes das eleições. A atual direção acredita que o mesmo caminho poderá ajudar o ADI a recuperar uma base mais ampla.
Por sua vez, Carlos Neves Primeiro Secretario geral do partido ADI presentes destacou a importância de preservar a história do partido e recordar que a sua criação resultou da iniciativa de várias pessoas ligadas ao processo de abertura democrática em São Tomé e Príncipe, nos anos 1990.
O antigo dirigente explicou que o encontro não teve como objetivo formalizar o regresso de antigos militantes ao ADI, mas sim recuperar a memória histórica da organização e refletir sobre os princípios que estiveram na origem do partido.
“Era importante fazermos a história do ADI para que as pessoas não pensem que o ADI foi criado por uma pessoa ou duas. Foi uma criação de um conjunto de pessoas que idealizaram o partido e deram corpo ao partido”, afirmou Carlos Neves 1º Secretario Geral do ADI
Carlos Neves primeiro secretario geral da ADI, defendeu ainda que o partido deve preservar os valores da democracia, liberdade, respeito pelas diferenças e participação coletiva, princípios que, segundo afirmou, estiveram na base da fundação da organização.
O encontro decorre num momento em que o ADI procura reorganizar-se e reforçar a sua capacidade de mobilização. A direção liderada por Américo Ramos aposta agora no diálogo com antigos quadros, fundadores e militantes como parte de uma estratégia para reconstruir consensos internos e consolidar o partido para os próximos desafios políticos.