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A Comissão dos Quadros Técnicos e Profissionais da Empresa de Água e Eletricidade (EMAE) manifestou publicamente a sua indignação face às recentes declarações do Primeiro-Ministro e Chefe do Governo, Américo Ramos, nas quais foram apontados alegados problemas graves na empresa, como excesso de trabalhadores, desvio de combustível, sabotagem e desmando.


Em comunicado de imprensa, os técnicos da EMAE consideram as declarações “generalizadas, injustas e lesivas” à honra e ao bom nome dos trabalhadores, sublinhando que os gestores da empresa são nomeados pelo próprio Governo, após aprovação em Conselho de Ministros, conforme estabelece o Decreto-Lei n.º 23/2011. Para a Comissão, cabe ao Executivo avaliar previamente as capacidades técnicas, profissionais e éticas dos responsáveis que designa para liderar uma empresa pública estratégica.


COMUNICADO DE IMPRENSA EMAE




O documento que foi lido pelo João Batista Porta-voz da A Comissão dos Quadros Técnicos e Profissionais da EMAE aponta ainda que o eventual excesso de trabalhadores resulta de sucessivas gestões politizadas, marcadas por recrutamentos sem concursos públicos e baseados em critérios partidários, em detrimento das boas práticas de gestão pública e empresarial.


Relativamente às acusações de desvio de combustível, os quadros técnicos consideram-nas extremamente graves, defendendo que, havendo indícios de práticas ilícitas, estas devem ser tratadas através de investigações formais e da responsabilização individual, e não por meio de acusações coletivas feitas em praça pública.


A Comissão destaca também o esforço permanente dos trabalhadores da EMAE, que atuam 24 horas por dia para assegurar o fornecimento de água e energia à população, muitas vezes em condições difíceis. Segundo o comunicado, as acusações de sabotagem são injustas, desmotivadoras e já terão contribuído para agressões a técnicos no terreno.


Entre os principais constrangimentos estruturais da empresa, os profissionais apontam a falta de autonomia de gestão e as constantes nomeações políticas para cargos de topo, contrariando recomendações de parceiros de desenvolvimento. Defendem que, caso existam situações de desmando, compete ao Governo adotar medidas concretas e eficazes, em vez de recorrer a declarações públicas generalizantes.


Na conclusão, os trabalhadores da EMAE afirmam não serem responsáveis pelas más opções acumuladas ao longo dos anos, embora continuem empenhados em servir o país com profissionalismo. Apelam ao diálogo, à responsabilidade política, ao respeito institucional e à rejeição de qualquer forma de violência contra os técnicos da empresa, sublinhando que a crise energética exige união nacional e soluções concretas.


POR: Varela Tavares

GLEBA TV 2026