São Tomé – O partido ADI (Acção Democrática Independente) confirmou a introdução de uma moção de censura ao Governo liderado por Américo Ramos, marcando um claro afastamento político em relação à atual governação.
A confirmação foi feita pelo Dr. Elísio, Secretario Geral do ADI, em declarações à imprensa, nas quais explicou que a decisão resulta de uma deliberação formal da direção do partido.
“Confirma-se. É uma decisão da direção do partido. Desde a demissão do 18.º Governo, sempre entendemos que esse processo não obedeceu aos princípios constitucionais, nem às regras do Estado de Direito Democrático”, afirmou Dr. Elísio.
Segundo o dirigente, a decisão ganhou maior consistência após o acórdão do Tribunal Constitucional e diante da avaliação negativa da ação governativa ao longo do último ano.
Fundamentos da Moção
Entre os principais motivos apontados pelo ADI estão o agravamento da crise energética, a situação considerada “degradante” no hospital central e o elevado custo de vida, sem respostas eficazes por parte do Governo.
“Todo o mundo constata que a situação energética complicou-se bastante, a situação no hospital é degradante e, de uma forma geral, o custo de vida não tem tido resposta por parte do Governo”, sublinhou.
Para o ADI, o Executivo que se apresentou como alternativa ao 18.º Governo revelou-se, na prática, “pior”, razão pela qual o partido decidiu demarcar-se completamente da atual governação.
Unidade Interna e Perspectiva Parlamentar
Questionado sobre possíveis divisões internas, Dr. Elísio rejeitou essa hipótese, destacando a maturidade política do partido.
“O ADI é uma estrutura com responsabilidade política e compromisso com o povo. Haverá sempre descontentes, como a nossa história demonstra, mas não vemos problemas maiores neste ato”, garantiu.
Relativamente à aprovação da moção no Parlamento, o dirigente reconheceu existirem divergências entre alguns deputados, mas mostrou-se confiante.
“Acreditamos que a moção tem tudo para avançar. Mesmo que não passe, é um sinal claro de que o ADI não assume esta ação governativa.”
Ano Eleitoral e Tribunal Constitucional
Sobre o impacto da moção num ano eleitoral, o ADI considera que os custos não podem servir de justificação para adiar eleições.
“O que é preciso é travar e corrigir o que está a ser mal feito, porque o povo já não suporta esta situação”, afirmou.
Quanto à decisão do Tribunal Constitucional, emitida um ano depois sobre a inconstitucionalidade de atos presidenciais, o partido manifesta estranheza.
“A justiça deve responder em tempo útil. Um ano depois, o estrago já está feito. Ainda assim, antes tarde do que mais tarde”, concluiu Dr. Elísio Secretario Geral do Partido Acção Democrática Independente.
GLEBA TV 2026