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A segurança e a saúde no trabalho continuam a ser um grande desafio em São Tomé e Príncipe. Acidentes de trabalho e doenças ainda ocorrem com frequência, muitas vezes sem que os próprios trabalhadores saibam como agir ou quais são os seus direitos.


“Não se trata de uma abordagem isolada, mas de uma contextualização da segurança e saúde no trabalho, olhando para a participação e a responsabilidade dos trabalhadores, bem como para a entidade empregadora, não como um opositor, mas como um parceiro. O objetivo é garantir bem-estar, tendo o ser humano como centro dessa relação jurídica laboral.” 
Joucerli Tiny dos RamosMinistro do Trabalho Solidariedade e Segurança Social de STP



Segundo o governante, existe ainda um vazio significativo no quadro jurídico nacional no que diz respeito à responsabilização em matéria de segurança e saúde no trabalho.



“Em São Tomé e Príncipe, ainda há um grande vazio para que haja uma execução efetiva da responsabilidade jurídica nesta matéria. Falamos de vários casos de acidentes de trabalho e de doenças profissionais, e é preciso ter em conta a previsão legal.” 
Joucerli Tiny dos Ramos


Apesar de estar em curso a revisão das normas legais, o Ministro sublinha que a mudança passa também pela consciência social e pela prevenção desde cedo.



“Esta é uma matéria que deve ser trabalhada desde a escola primária, porque não se limita ao local de trabalho. Ela estende-se à vida familiar e ao quotidiano, desde a utilização de objetos cortantes ou inflamáveis.” Joucerli Tiny dos Ramos


Outro ponto destacado foi a importância de não se olhar apenas para os acidentes de trabalho, mas também para as doenças profissionais, muitas vezes silenciosas e de evolução lenta.



“As doenças profissionais podem ser diagnosticadas hoje, mas só se manifestam plenamente anos depois, muitas vezes quando a pessoa já não está no ativo. Por isso, precisamos despertar mentes para trabalhar mais na prevenção.” 
Joucerli Tiny dos Ramos


Questionado sobre a ausência de medidas de segurança em algumas empresas públicas, o Ministro explicou que o problema vai além da simples disponibilização de equipamentos.


Não basta ter equipamentos. É preciso que sejam adequados à atividade e que o trabalhador saiba utilizá-los corretamente. Um equipamento inadequado pode criar uma falsa sensação de segurança e aumentar o risco.”
Joucerli Tiny dos Ramos


Relativamente ao seguro de trabalho, o governante esclareceu que, em São Tomé e Príncipe, este é obrigatório apenas para atividades de elevado risco, sendo a prevenção o principal pilar da proteção laboral.


“O seguro é importante, mas deve ser um reforço. Quando há responsabilidade e consciência por parte da entidade empregadora, trabalha-se primeiro na prevenção. A segurança social também desempenha um papel fundamental na proteção do trabalhador.” 
Joucerli Tiny dos Ramos / Ministro do Trabalho Solidariedade e Segurança Social de STP



O Governo garante que está a ultimar um novo quadro jurídico laboral para reforçar a segurança e a saúde no trabalho, apostando na prevenção, na formação e numa maior responsabilidade partilhada entre Estado, empregadores e trabalhadores.

 


Por: Varela Tavares

Jornalista: Ednel Abreu

Imagem: Siclay Abril

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