São Tomé e Príncipe quer tornar-se o primeiro país africano a realizar uma transição nacional para uma agricultura 100% biológica.
A ambição foi apresentada pelo Governo durante a 10.ª Reunião Ordinária do Grupo de Trabalho do Setor Agrícola, com o apelo a uma maior coordenação entre instituições, parceiros de desenvolvimento e atores do setor.
A estratégia pretende ligar a produção de alimentos à proteção da biodiversidade, à criação de emprego e oportunidades para mulheres e jovens, à adaptação às alterações climáticas e ao fortalecimento da economia rural.

Nilton Garrido :Ministro da Agricultura
“Queremos construir um sistema agroalimentar que produza mais, produza melhor, gere rendimento para as famílias e, simultaneamente, proteja os recursos naturais que constituem o nosso maior património.”
Para concretizar esta visão, o Governo apresentou a proposta de reforço e territorialização dos sistemas agroalimentares sustentáveis, designada REDSA, a ser submetida ao Programa Global para Agricultura e Segurança Alimentar.
O projeto é apresentado não apenas como mais uma iniciativa, mas como um instrumento de política pública para acelerar a transição agroecológica, fortalecer cadeias de valor e melhorar a coordenação entre os diferentes intervenientes.

A proposta prevê também o reforço da capacidade dos produtores e a criação de condições para que a estratégia 100% biológica passe da visão à ação, com resultados mensuráveis.

Na reunião, foi ainda defendido que a estratégia deve aproveitar os recursos naturais, agrícolas e culturais do país, articulando diferentes setores da economia.

Representante dos Parceiros de Desenvolvimento
“Todos estes ativos só ganham valor quando se conectam e quando são transformados pelas pessoas nos territórios. Esta é um pouco a visão do São Tomé 100% Bio.”
A abordagem pretende aproximar a agricultura familiar, a pesca artesanal, as organizações de produtores e comunitárias, mulheres e jovens, com maior atenção à governança territorial.
A visão 100% Bio deverá, no entanto, ultrapassar o setor agrícola. Segundo a intervenção apresentada, a agenda envolve também saúde, nutrição, educação, cultura, clima, biodiversidade, energia, resíduos, turismo, economia azul, indústria e emprego.
Representante dos Parceiros de Desenvolvimento
“O REDSA será uma primeira plataforma onde esperamos que todos os parceiros de desenvolvimento e atores se possam juntar e agregar.”
A proposta surge alinhada com a visão do Plano Nacional de Desenvolvimento Sustentável e pretende criar uma primeira plataforma de operacionalização através de experiências, capacitação e investimentos nos territórios.

O desafio agora passa por mobilizar financiamento, conhecimento, tecnologia, inovação e capacitação, num processo que o Governo considera essencial para reforçar a segurança alimentar, a resiliência climática, o emprego e o desenvolvimento sustentável de São Tomé e Príncipe.

A estratégia 100% Bio é apresentada, assim, como uma agenda de longo prazo, com a agricultura a servir de ponto de partida para uma transformação mais ampla do sistema alimentar e da economia nacional.