Celebrar 555 anos não é apenas recordar o passado é, sobretudo, assumir a responsabilidade de preservar a história herdada e projetar o futuro da Ilha do Príncipe.

Desde cedo, o Príncipe afirmou-se como um espaço de relevância económica, histórica e estratégica no Atlântico, chegando mesmo a assumir, nos séculos XVIII e XIX, o estatuto de capital da então província ultramarina. Num contexto marcado por disputas internacionais, a ilha fortaleceu-se. As fortalezas de Santana e da Ponta Mina permanecem como símbolos de resistência e defesa de um território que sempre soube reconhecer o seu valor.
“O que permitiu ao Príncipe atravessar séculos de mudanças não foram apenas as estruturas ou os ciclos económicos, mas sobretudo as pessoas. O povo do Príncipe é o nosso maior capital.” Filipe Nascimento / Presidente do Governo Regional

Um povo resiliente, guardião de uma riqueza cultural viva, expressa na
gastronomia, na música, nos ritmos tradicionais e nas manifestações artísticas
que atravessam gerações. Durante as celebrações, a cultura esteve em destaque,
com atuações musicais e o anúncio do lançamento de um novo álbum do artista
principense Chico Paraíso.
A história do Príncipe também deixou marcas na ciência mundial. Em 1919, a ilha acolheu observações que contribuíram para a comprovação da
Teoria Geral da Relatividade de Albert Einstein. Em 2012, o reconhecimento como
Reserva Mundial da Biosfera reforçou o estatuto do Príncipe
como património vivo e responsabilidade partilhada.
“Esta distinção internacional confirma que o desenvolvimento do Príncipe deve ser sustentável, respeitando a natureza e garantindo melhores condições de vida para as gerações futuras.” Nilton Garrido / Ministro da Agricultura / GOVERNO CENTRAL

Outro marco destacado foi a conquista da Autonomia Regional, em 1995. Um processo ainda em construção, que exige responsabilidade, transparência e cooperação entre a Região Autónoma e o Governo Central. Foram também abordados os desafios estruturais da ilha, como o porto, o aeroporto, o abastecimento de combustíveis e a necessidade de maior coordenação institucional.
“O futuro constrói-se com visão, estabilidade e cooperação entre o Príncipe e São Tomé. Só assim o desenvolvimento chegará de forma concreta às pessoas.” Filipe Nascimento / Presidente do Governo Regional

Entre os símbolos históricos, destaque para o edifício dos Passos do Conselho,
cuja reabilitação foi apontada como urgente, num apelo à preservação da memória
coletiva. Numa sociedade maioritariamente jovem, a mensagem foi clara: a
juventude não é apenas o futuro, é o presente que constrói e transforma.

As comemorações dos 555 anos da Ilha do Príncipe ficam assim marcadas como um momento de memória, identidade e compromisso com um futuro mais justo, sustentável e inclusivo.
POR: Alexander Martins
GLEBA TV 2026